
Comité Pro Referendo da PMA não desiste
Ecclesia, 16/11/2006
Depois da Assembleia da República ter recusado a Petição
Pró-Referendo à Lei da Reprodução Artificial, o Comité promotor
desta iniciativa procura novas formas de luta. Um grupo de
deputados pediu a fiscalização da constitucionalidade da lei da
Procriação Medicamente Assistida (PMA). O Comité Pró Referendo
associou-se a esta iniciativa porque “achamos que é mais um
contributo para que esta lei continue a ser debatida na
sociedade portuguesa e no próprio Parlamento” – disse à Agência
ECCLESIA António Pinheiro Torres, do Comité Pró Referendo. A lei
da PMA foi produzida “em circuito fechado” por isso “levantou
problemas de constitucionalidade” – adiantou. E continua: “há
pontos onde a lei ofende a constituição”.
A questão do anonimato do dador e todas as questões ligadas com
os direitos da criança são pontos que merecem atenção. Depois da
discussão de ontem (15 de Novembro) no Parlamento, o Comité Pró
Referendo pensa que “foi uma pena que o Parlamento tivesse
reprovado a nossa petição (subscrita por 82 mil cidadãos
portugueses)” porque “a lei está tão coxa que qualquer dia cai
e, de alguma maneira, apenas o referendo a poderia salvar
daquilo que lhe vai acontecer” – frisou António Pinheiro Torres.
O Comité solicitou a cientistas e juristas – pessoas da área da
Medicina e Direito - pareceres sobre as questões concretas “que
possam ajudar o Tribunal Constitucional a decidir com a sua
opinião”. A lei tem posições dúbias porque a Constituição refere
que cada português “tem direito a conhecer a sua identidade
pessoal e genética”. Quando se consagra o “anonimato do dador de
esperma na Lei da PMA” entra-se em contradição com a
Constituição. E finaliza: “claramente existe uma
inconstitucionalidade”. É com “enorme expectativa” que o Comité
aguarda serenamente um juízo legal, científico e jurisprudencial
sobre estas matérias.