
Petição para a realização de consulta popular discutida na quarta-feira
Comité Pró-Referendo à Procriação Assistida pede pareceres a
cientistas e juristas
10.11.2006 -
17h38 Lusa
O Comité Pró Referendo à Procriação Medicamente Assistida (PMA) anunciou hoje que vai pedir pareceres a cientistas e juristas, que juntará ao pedido de fiscalização da constitucionalidade feito por deputados do PSD e CDS-PP.
Ontem, um grupo de
deputados do PSD e do CDS-PP, que tem dúvidas quanto à Lei de PMA,
divulgou que ia entregar hoje no Tribunal Constitucional um pedido
de fiscalização do diploma, por considerarem que "pode colidir com
princípios básicos da Constituição e da Convenção de Oviedo sobre os
direitos do homem e biomedicina".
Segundo o Comité Pró Referendo, o tribunal irá agora apreciar da
legalidade e constitucionalidade de soluções legislativas
consagradas na lei, como sejam o uso de embriões para
experimentação, a clonagem, a maternidade de substituição, a criação
de bancos de esperma e ovócitos, o anonimato do dador ou o direito
de conhecer o pai biológico.
"É com enorme expectativa que o comité aguarda serenamente um juízo
legal, científico e jurisprudencial sobre estas matérias", diz a
entidade, acrescentando que irá solicitar a cientistas e juristas de
"renome" pareceres sobre questões concretas, que juntará ao processo
agora aberto no Tribunal Constitucional.
O comité lembra que na próxima quarta-feira será discutida na
Assembleia da República a petição Pró-Referendo à Lei da Reprodução
Artificial. "Depois de todos os esforços concretiza-se o pedido de
82 mil cidadãos portugueses de verem a sua petição debatida de forma
séria no plenário da Assembleia da República", refere em comunicado.
Para o comité, esta iniciativa popular não esgota o trabalho a
desenvolver e "é tempo de continuar os esforços no terreno do
esclarecimento público, do debate científico e de acompanhamento do
problema da infertilidade".
Aponta ainda a existência de uma lei que o Parlamento aprovou sem
para tal estar legitimado, alegando que nenhum partido se apresentou
ao eleitorado com um programa sobre esta questão.
"A nossa motivação não é ideológica, não é um problema que se
identifica com a lei em si, é, antes de mais, o entendimento dos
valores civilizacionais que caracterizam o povo português", conclui
o comité.