Enviou mensagem ao parlamento a explicar decisão
Cavaco promulga lei da procriação assistida

O Presidente da República, Cavaco Silva, promulgou ontem a lei sobre procriação médica assistida (PMA), que fora vetada em 1999 durante o mandato de Jorge Sampaio, e enviou uma mensagem à Assembleia da República a explicar a decisão.

D.R.
O cientista iraniano Karim Nayernia criou ratos através de esperma artificial. Esta descoberta abre caminho à possibilidade de aplicar o mesmo método em humanos, permitindo assim o tratamento da infertilidade masculina.
O cientista iraniano Karim Nayernia criou ratos através de esperma artificial. Esta descoberta abre caminho à possibilidade de aplicar o mesmo método em humanos, permitindo assim o tratamento da infertilidade masculina.

No documento, Cavaco Silva diz não existirem “especiais razões de mérito para vetar a lei”, mas chama a atenção para “a necessidade de regulação complementar” e para “as condições de independência da composição do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida”.

A lei, aprovada em Maio pelos partidos de esquerda (PS, PCP e BE) e com os votos de oito deputados do PSD – a maioria dos sociais-democratas e a bancada do CDS-PP votaram contra –, destina-se a casais inférteis de sexo diferente, maiores de 18 anos e contempla técnicas como a doação de espermatozóides, ovócitos e embriões de dadores anónimos.

No mesmo dia em que a Assembleia da República aprovou a lei da PMA, um grupo de cerca de 80 mil pessoas entregou uma petição a favor da realização de um referendo. O processo continua em apreciação. Com a promulgação, os defensores do referendo aplaudem a decisão de Cavaco Silva, nomeadamente as recomendações do Chefe de Estado. O mesmo grupo já entregou no Parlamento um projecto de lei sobre a matéria, que não admite a criação de embriões humanos excedentários e tratamentos com recurso a dadores.

As bancadas parlamentares do PS, PCP e BE congratularam-se com a decisão de Cavaco Silva. José Ribeiro e Castro, líder do CDS-PP, por sua vez, reiterou as dúvidas daquele partido quanto à constitucionalidade do documento.

Até este momento, em Portugal apenas existia um decreto-lei publicado em 1986, que nunca chegou a ser regulamentado.

A.P. com Lusa

 

 

 

 

 

 

 

2006-07-12 - 00:00:00