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Jaime Gama acolhe iniciativa legal de cidadãos sobre a Procriação Medicamente Assistida

Admitida petição para referendo

 

Na opinião do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, "não faria sentido indeferir a admissibilidade (da petição pedindo um referendo sobre a PMA) uma vez respeitadas as formalidades legais".

 

O presidente da Assembleia da República decidiu admitir a petição que pede um referendo sobre Procriação Medicamente Assistida. Justificando a sua decisão, Jaime Gama disse que "não faria sentido indeferir a admissibilidade (da petição) uma vez respeitadas as formalidades legais".

O presidente da Assembleia da República (AR) justificou, ontem, ter admitido a petição que pede um referendo sobre Procriação Medicamente Assistida (PMA) para "não obstaculizar" uma iniciativa legal de cidadãos e permitir a sua discussão política.
"Não faria sentido indeferir a admissibilidade uma vez respeitadas as formalidades legais", sublinhou Jaime Gama, em declarações aos jornalistas, no Parlamento.
Para o presidente da AR, rejeitar a petição subscrita por mais de 70 mil cidadãos seria "usar um procedimento administrativo inaceitável".
"Por um lado, obstaculizaria o direito constitucional de iniciativa popular e, por outro, impediria os deputados de, na Assembleia da República, proceder à discussão da matéria pelo seu mérito próprio", frisou.
Num despacho assinado terça-feira, Jaime Gama admitiu a petição que pede um referendo sobre PMA, quase dois meses depois desta ter sido entregue na AR, a 25 de Maio.
O processo está agora na Comissão Parlamentar de Saúde, que reuniu, anteontem, mas não teve tempo de iniciar as diligências necessárias.
A presidente da comissão, Maria de Belém, disse à Lusa que a primeira reunião depois das férias será a 19 de Setembro, data em que serão iniciados os contactos para ouvir o órgão executivo dos peticionários.
Segundo a Lei do Referendo, a comissão elaborará, então, no prazo de vinte dias, o projecto de resolução incorporando o texto da iniciativa de referendo, enviando-o ao presidente da AR para agendamento.
O presidente da AR deverá agendar, então, o projecto de resolução para um dos dez plenários seguintes, sendo a iniciativa popular obrigatoriamente apreciada e votada.

Petição de referendo sobre PMA
dá origem a uma acesa polémica

Esta petição provocou polémica por ter sido entregue no Parlamento no dia da votação final global da lei sobre PMA, entretanto promulgada pelo Presidente da República, Cavaco Silva, o que dividiu os partidos se sobre a legalidade da sua admissão.
Depois do processo ter sido sujeito a pareceres das comissões de Saúde e Assuntos Constitucionais, recomendando a não admissão da petição, Jaime Gama, a quem cabe a decisão, assinou um despacho pedindo aos peticionários que, uma vez que já não havia qualquer processo legislativo em curso sobre PMA no Parlamento, juntassem à petição um projecto-lei, que foi prontamente enviado, no dia 10.
Nessa ocasião, os partidos voltaram a dividir-se, com PS, PCP e BE a manifestarem dúvidas sobre a legalidade de as mais de 70 mil assinaturas recolhidas para exigir o referendo sobre a lei aprovada serem agora utilizadas para pedir uma consulta sobre outro projecto, elaborado pelos promotores da petição.
Na altura, o vice-presidente da bancada socialista Ricardo Rodrigues sugeriu mesmo que o PS contestaria uma eventual admissão da petição com as assinaturas que já constavam no documento inicial.
"Os 25 cidadãos que compõem a comissão executiva ou organizadora da petição não têm mandato para fazer um projecto de lei e isso tem necessárias consequências", sublinhou Ricardo Rodrigues, numa reunião da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais.