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Assembleia da
República
Maioria aceita decisão de Gama de aperfeiçoar petição sobre
procriação assistida
05.07.2006 -
18h04 Lusa
PS, PSD e CDS-PP
aprovaram hoje um parecer que rejeita o recurso do PCP sobre a
decisão do presidente da Assembleia da República de solicitar o
aperfeiçoamento da petição que pede um referendo sobre Procriação
Medicamente Assistida (PMA).
A petição deu
entrada no Parlamento a 25 de Maio, no mesmo dia em que foi aprovada
em votação final global uma lei que regula as técnicas de PMA, mas
ainda não houve decisão sobre a sua admissibilidade na Assembleia da
República.
Na semana passada, e considerando implicitamente que o diploma
aprovado no Parlamento não é um acto pendente “sobre o qual possa
incidir o referendo”, Jaime Gama defendeu que a “iniciativa popular
deverá ser acompanhada de um projecto de lei” para que possa
eventualmente ser aceite.
O PCP contestou este despacho, com o argumento de que “estando
definitivamente aprovada uma iniciativa legislativa, essa matéria
não pode ser objecto de referendo”.
“O despacho que Vossa Excelência proferiu contraria o que foi
parecer das comissões de assuntos constitucionais e de saúde”,
sublinhou o deputado do PCP António Filipe, repetindo em plenário os
argumentos apresentados na terça-feira em sede de comissão.
Ao lado do PCP, e contra o despacho do presidente da Assembleia da
República, esteve apenas o Bloco de Esquerda. “O que o BE questiona
é se é legítimo transpor a legitimidade dos signatários da petição,
transpor essas assinaturas, para acrescentar um projecto-lei que não
foi apresentado aos cidadãos”, interrogou Ana Drago.
Pelo PS, o vice-presidente da bancada Ricardo Rodrigues justificou a
rejeição do recurso do PCP considerando que ainda não existiu
qualquer decisão de Jaime Gama. “O senhor presidente da Assembleia
da República admitiu a petição? Ainda não. Rejeitou a petição? Ainda
não”, salientou, sublinhando que “não cabe recurso” do despacho
“interlocutório” de Jaime Gama.
Contra este argumento manifestou-se o deputado do PSD Paulo Rangel,
frisando que a decisão do presidente da Assembleia “é substantiva”.
“Rejeitamos o recurso do PCP não por este despacho ser uma decisão
de forma, mas por ser uma sensata e avisada decisão de substância”,
sublinhou.
Esta posição mereceu o apoio do CDS, que, no entanto, foi mais longe
e voltou a defender que o Parlamento não deveria ter votado a lei
sobre PMA, depois de ter dado entrada uma petição que pedia um
referendo sobre a matéria. “Esta é que era uma posição de respeito
pelos quase 80 mil cidadãos que assinaram a petição e de respeito
pelo próprio Parlamento”, afirmou o vice-presidente da bancada do
CDS Pedro Mota Soares. |