Apoio do Governo ao projecto de lei do PS


Ministro defende procriação assistida "para todos e não apenas para os que possam pagar"


10.01.2006 - 11h43   Lusa

 

O ministro da Saúde, António Correia de Campos, defendeu hoje que a procriação medicamente assistida deve ser "para todos e não apenas para os que possam pagar" e manifestou o apoio do Governo ao projecto de lei do PS sobre a matéria.

António Correia de Campos falava durante um colóquio sobre as implicações éticas sociais e legais da Procriação Medicamente Assistida (PMA) que decorre na Assembleia da República.

Este debate surge numa altura em que PS, PSD, PCP e BE apresentaram projectos de lei com vista à regulamentação da PMA em Portugal.

Para o ministro da Saúde, os quatro projectos de lei que deram entrada na AR têm "intrínseca qualidade", apesar das suas divergências.

Correia de Campos manifestou-se contra a actual "discriminação económica e social" que a actual ausência de regulamentação desta matéria provoca e defendeu a aprovação de uma legislação que aumente a acessibilidade a estas técnicas.

O ministro defendeu, por isso, "uma lei para todos e não apenas para aqueles que podem pagar os tratamentos".

Actualmente as listas de espera nos hospitais públicos para as técnicas de Procriação Medicamente Assistida são de vários anos, enquanto que nos privados, com listas de espera reduzidas, são praticados preços muito elevados.

O ministro manifestou o apoio do Governo ao projecto de lei do PS, que entre vários princípios defende a PMA heteróloga (em que o óvulo ou o espermatozóide pertence a terceiros) com recurso a dador.

O projecto de lei do PS defende ainda a confidencialidade dos participantes nestas técnicas, que proíbe a clonagem e permite o recurso a técnicas de PMA para prevenção ou tratamento de anomalias, designadamente de origem genética e infecciosa.

Relativamente à utilização de embriões - o aspecto mais polémico da PMA - o PS preconiza que estes sejam utilizados apenas para fins de diagnóstico ou terapêuticos, proibindo a sua criação deliberada para fins de investigação ou experimentação científica.

 

 

Aos necessitados  
Por A. Branco - Lisboa

Infelizmente tenho a experiência do que é estar 2 anos em lista de espera num hospital público para realizar um sonho...ser mãe. Quando tive de enfrentar o farmaceutico que me pedia 50 cts por uma caixa de ampolas para injectar que só me servia para 2 dias...quase desesperei, não sabia no que me tinha metido. A falta de informação prestada ás pessoas que recorrem a este sistema é demasiada. Tive a sorte de no fim do processo ser recompensada com a confirmação de gravidez...já lá vão 2 anos. Um abraço para toda a equipa que me ajudou na concretização deste sonho. Fica só o desabafo que mesmo para quem recorre ao hospital público, na melhor das hipoteses gasta no mínimo 5000 euros, caso consiga à primeira tentativa. Boa sorte!

Discriminação socio-económica?  
Por Cristina - Lisboa

E a discriminação heterossexista? Isto é, todos implica também mulheres solteiras e/ou homossexuais?

 Para o Dr. Quintino de Barros  
Por Dr. Rui Costa - Lisboa

O ministro fala em discriminação social e económica. Isto quer apenas dizer que o ministro defende não apenas a autorização por lei do procedimento, mas também o seu subvencionamento pelo Sistema Nacional de Saúde, de forma a garantir o acesso à generalidade da população. A cegueira do mal dizer prega-nos destas partidas e não há estudos universitários que nos valham.

Todos iguais?  
Por Dr. Quintino de Barros - La Chaux de Fonds- Suiça

Para este sr. Ministro há leis que não são para todos? Pelo que ele diz e pelo que se vê, parece que há.