Pesquisa em embriões divide deputados

FILOMENA NAVES


O deputado José Pinheiro Torres, do PSD, foi a voz destoante no debate que ontem juntou três representantes do Parlamento perante uma pequena assembleia de cientistas e técnicos da área da biomedicina, na Faculdade de Farmácia, para falar dos limites éticos e legais à investigação em células embrionárias.

O debate, no âmbito da conferência internacional Células Estaminais e Medicina Regenerativa, que hoje termina, em Lisboa, centrou-se sobretudo sobre as possibilidades técnicas e os limites que deverão (ou não) ser impostos à pesquisa em células estaminais (precursoras das que constituem todos os tecidos diferenciados do organismo) em embriões.

Pinheiro Torres garantiu que o seu partido «ainda não tem uma posição definida sobre a questão, uma vez que está a decorrer, por iniciativa do Governo, uma discussão pública sobre a questão».

Falando a título pessoal, como fez questão de sublinhar, o deputado social-democrata afirmou que «o embrião é um ser humano desde o momento da concepção e que a ciência não pode passar por cima disso e atacar o embrião».

Quanto à futura lei para regulamentar a investigação em embriões _ o Governo apresenta em Setembro à Assembleia da República uma proposta de lei nesse sentido _ Pinheiro Torres defendeu um diploma «apenas com princípios muito gerais» que integre «uma autoridade com representantes das áreas ética e técnica que possam decidir caso a caso. Uma ideia que colheu consenso.


Mais em sintonia estiveram as representantes do PS e do PCP, Maria de Belém Roseira e Odete Santos, que defenderam a possibilidade de investigação em células embrionárias, desde que salvaguardados «os princípios éticos que devem presidir a qualquer pesquisa científica». Maria de Belém, sublinhou, de resto, uma questão essencial: a de que seria «uma hipocrisia política» proibir a investigação em Portugal nesta área, e depois, porque nos outros países ela está a desenvolver-se, importar e aplicar os seus benefícios médicos e terapêuticos.

 

Os desafios éticos para o futuro

 

A conferência Células Estaminais e Medicina Regenerativa termina hoje com sessões dedicadas aos aspectos éticos e legais da investigação em células embrionárias humanas. Em foco vão estar temas como o estatuto do embrião, a necessidade destas pesquisas no âmbito da procriação medicamente assistida, o debate ético no contexto das instâncias europeias e os desafios do futuro.