Procriação assistida: Deputados do CDS discordam do partido

Oito dos doze deputados do CDS-PP discordaram hoje da posição do partido de votar contra um projecto do PSD sobre procriação medicamente assistida, que foi imposta a toda a bancada pela direcção democrata-cristã.

Depois de o projecto ter sido aprovado, na generalidade, com os votos do PSD e a abstenção do PS e BE, a deputada do CDS-PP Teresa Caeiro anunciou que apresentaria, em conjunto com outros sete deputados da bancada, uma declaração de voto, porque lhes tinha sido imposta disciplina de voto.

O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Melo, o ex-presidente do partido Paulo Portas e os ex-dirigentes Telmo Correia, António Pires de Lima, João Rebelo, Diogo Feio e Nuno Magalhães são os restantes subscritores da declaração de voto.

Em declarações à Agência Lusa, Teresa Caeiro disse que «o presidente do partido impôs disciplina de voto nesta matéria e o presidente do grupo parlamentar acatou as instruções do presidente do partido».

Teresa Caeiro explicou que os oito deputados democratas- cristãos entendem que o projecto do PSD «poderia ter merecido uma abstenção por parte do CDS» e que se socorreram da «declaração de voto para expor essa visão».

«O projecto do PSD reproduz um texto que tinha vindo a ser acordado connosco. O PSD recuou numa matéria cara ao CDS, retirando a procriação heteróloga do diploma», afirmou a deputada, referindo que esse era um dos dois pontos contestados pelos democratas-cristãos.

O outro ponto, «a investigação em embriões excedentários», manteve-se mas com excepções «cautelosas», que a permitem apenas para benefício do próprio embrião ou quando este já é inviável, completou Teresa Caeiro.

«O presidente do CDS rejeita a investigação mesmo em embriões inviáveis», salientou a deputada, considerando, contudo, que a permissão dessa investigação nos termos do projecto do PSD «não é suficiente para votar contra todo o diploma».

Questionado sobre esta questão, numa conferência de imprensa, na sede do partido, o presidente do CDS-PP, Ribeiro e Castro, recusou comentá-la alegando não saber «o que se passou».

«O CDS é contra a investigação destrutiva de embriões. O direito à vida faz parte do código genético do partido», frisou, no entanto, Ribeiro e Castro.

Com o voto contra do CDS-PP, foram aprovados também, na generalidade, projectos sobre a mesma matéria, do Bloco de Esquerda (BE), do PS e do PCP.

O projecto do BE teve ainda a oposição do PSD, que não impôs contudo disciplina de voto aos seus deputados e viu 15 deles absterem- se.

O PS não impôs igualmente disciplina de voto e as duas deputadas independentes do Movimento Humanismo e Democracia (MHD) votaram contra o diploma do BE, bem como a deputada socialista Matilde Sousa Franco.

As mesmas deputadas abstiveram-se na votação do projecto do PS, em que o PSD também se absteve e o BE, PCP e «Os Verdes» votaram favoravelmente.

O diploma do PCP obteve também o voto contra do PSD e das três deputadas eleitas pela bancada socialista e a abstenção de 17 deputados sociais-democratas.

Diário Digital / Lusa

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Parlamento debate hoje procriação medicamente assistida

A Assembleia da República debate, esta sexta-feira, 20 anos depois do nascimento do primeiro bebé-proveta, a procriação medicamente assistida, através da análise de quatro projectos, da autoria de PS, PSD, PCP e BE. Apenas o CDS/PP não deverá apresentar qualquer proposta.

Segundo a edição desta sexta-feira do Diário de Notícias, os projectos de PS e PSD admitem a procriação assistida apenas para casais heterossexuais, casados ou a viver em união de facto há mais de dois anos, enquanto a proposta do Bloco de Esquerda contempla ainda mulheres sós, desde que inférteis. Mulheres férteis, que queiram ter um filho sem recurso à relação sexual, já não são contempladas pelos bloquistas.

O projecto do PCP admite a «produção independente» e, inclusivamente, a possibilidade de utilizar um embrião para fazer nascer um bebé que permita salvar a vida de uma criança já existente (o chamado «bebé-medicamento»), algo que nenhum dos outros três projectos contempla.

A questão da limitação do número de embriões que podem ser criados para fecundação é também abordada, sendo que apenas o PSD estabelece um número – três – de ovócitos a serem inseminados numa mulher, admitindo o diagnóstico apenas caso não implique «a destruição de embriões».

Os sociais-democratas recusam, de resto, também o recurso às «mães portadoras» ou à maternidade de substituição, possibilidades admitidas pelos restantes projectos, os quais aceitam ainda a investigação em embriões, embora com restrições diferenciadas. O PSD admite-a apenas «em benefício do embrião».

Defensores da necessidade de encarar a infertilidade como uma doença (a única excepção é, mais uma vez, o projecto do PSD), as propostas de PS, PCP e BE prevêm que seja o Serviço Nacional de Saúde a suportar parte dos custos do processo de procriação medicamente assistida (PMA), ficando o restante, na opinião de PCP e BE, a cargo dos seguros de saúde.