Formação de membros compreendida


Duas equipas de investigação do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) desenvolveram um trabalho que permite compreender melhor como é que se forma um braço ou uma perna durante o desenvolvimento de um ser vivo. Este estudo, que vai ser publicado na edição de Junho da Nature Cell Biology, é o resultado directo da cooperação entre os investigadores do IGC, contando ainda com a colaboração de cientistas nos Estados Unidos da América.

O trabalho de Joaquín Léon, Domingos Henrique e Juan Carlos Ipsizúa Belmonte, realizado maioritariamente em embriões de pinto, elucida um dos processos pelos quais as células do embrião transmitem umas às outras a informação necessária para formarem a asa da galinha. Este estudo contribui para a compreensão de uma das questões fundamentais em desenvolvimento/embriologia: como é que, a partir de um conjunto de células indiferenciadas, se formam órgãos e estruturas com tamanhos e formas tão diferentes como um braço ou um dedo? O estudo incidiu sobre o modo de acção de uma molécula chamada Fibroblast Growth Factor 8 (FGF8), que é fundamental para a formação de muitos orgãos, entre os quais os membros. Os investigadores mostram qual a sequência de sinais moleculares que permite que o factor FGF8 mantenha outra população de células viva para que possam, mais tarde, formar a asa. As experiências realizadas explicam como o gene Mkp3 (identificado por Domingos Henrique) é «ligado» nas células em resposta a um sinal espoletado por FGF8, e que, quando activado, o Mkp3 protege as células da morte.

DN 010603