Investigação em células embrionárias não deve ser travada

FILOMENA NAVES


Ainda está no início a investigação sobre células estaminais _ as células precursoras de todas as que constituem os diferentes tecidos do organismo. Ou seja, sabe-se muito pouco sobre todas as suas potencialidades para a medicina e esta é uma razão mais do que suficiente para que a investigação em células estimarias de embriões não seja posta em causa por uma lei proibitiva.

Este é o diagnóstico de quem está no laboratório _ os investigadores _ e que esteve ontem em foco, em Lisboa, no primeiro dia da conferência internacional Células Estaminais e Medicina Regenerativa, na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.


Os resultados das experiências demonstram que ainda se desconhecem em grande parte os mecanismos pelos quais se regem estas células estaminais ou precursoras. Mais. As células estaminais não existem apenas nos embriões, mas também nos adultos. Só que os resultados das pesquisas com umas e outras são muito diferentes. Nesta altura, são muito mais promissoras, do ponto de vista da medicina do futuro, as células embrionárias. Disso mesmo deu conta o investigador Jia-yi Li, do Wallenberg Neurocentrum de Lund, na Suécia, que tem trabalhado sobre a doença de Parkinson. O grupo de Li realizou com algum sucesso o transplante de tecido fetal (para a zona cerebral afectada) em pessoas com esta doença neurológica. Mas a utilização de células estaminais na mesma operação (em ratos) não obteve até agora qualquer resultado positivo, segundo afirmou. Apesar disso, o investigador acredita que há um futuro promissor nas células estaminais embrionárias para estes transplantes.

Carolino Monteiro, professor da Faculdade de Farmácia, investigador em genética humana e um dos organizadores da conferência, afirmou ao DN que a ideia «foi contribuir para lançar uma discussão pública sobre este tema que, infelizmente, não tem existido». Hoje mesmo o encontro conta com um debate com deputados do PSD, PS, PCP e Bloco de Esquerda. Uma discussão oportuna já que, em Setembro, a AR terá que discutido uma proposta de lei do Governo para regulamentar a pesquisa científica em embriões.

 

Proposta de lei na AR em Setembro

 

O Governo apresenta em setembro à Assembleia da República uma proposta de lei para regulamentar a investigação científica em embriões. Entretanto, a discussão pública sobre a questão, lançada após a elaboração, em Março, do livro branco do médico Daniel Serrão sobre o tema, continua, garante o Executivo, que diz estar atento às recomendações da União Europeia nesta área. Há quem considere, no entanto, que o debate público tem sido nulo.