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Londres, 13 Jan
(Lusa) - Investigadores do King's
College, de Londres, tencionam clonar embriões a partir de óvulos de coelhos e núcleos
de células humanas.
Chris Shaw,
responsável por esta equipa de cientistas, disse na quinta-feira que esses
embriões seriam na sua maior parte constituídos por matéria proveniente do
coelho, mas comandados pelo ADN humano.
Esses embriões só seriam
utilizados no quadro da investigação sobre o desenvolvimento das
células estaminais e as doenças genéticas.
No quadro da legislação actual,
não poderiam desenvolver-se para além do 14/0 dia e não poderiam em caso
algum ser implantados no útero de uma mulher.
"A fertilidade dos coelhos é
lendária e poderá ser possível usar células humanas e transferir o núcleo
dessas células para óvulos de coelho", explicou o investigador.
"Legalmente, a situação não
é clara, mas é uma coisa que gostaríamos de discutir com a HFEA (Autoridade
para a Fertilidade Humana e a Embriologia).
O professor Shaw
e os seus colegas do King's College
têm uma licença comum com a equipa do professor Ian
Wilmut, do Roslin Institute de Edimburgo (Escócia), para clonar embriões humanos com fins terapêuticos.
Wilmut criou a ovelha Dolly,
em 1996.
Todavia a grande dificuldade dos
investigadores britânicos é a falta de óvulos humanos disponíveis para
estas investigações.
Actualmente, só podem recorrer
aos óvulos abandonados na sequência de procedimentos de fertilização in vitro.
Segundo o professor Shaw, já foram realizadas experiências de mistura de
ADN humano com óvulos de coelhos na China, pela equipa do professor Sheng Huizhen, da
Universidade de Medicina número dois de Xangai.
Essa equipa diz ter já criado
mais de 100 embriões que teriam sobrevivido até à fase de blastocitos, o que corresponde à fase ao estádio de
desenvolvimento embrionário precoce (entre cinco e sete dias no homem).
O governo trabalhista de Tony Blair abriu uma ampla
consulta pública sobre a necessidade de revisão da lei de 1990 sobre
reprodução assistida, tendo em conta os progressos da ciência e a evolução
dos costumes, nomeadamente com a legalização das uniões homossexuais.
Até hoje, no Reino Unido, só a
equipa do professor Miodrag Stojkovic,
do Instituto de Genética Humana da Universidade de Newcastle
(norte de Inglaterra), conseguiu produzir embriões clonados,
em Maio de 2005.
CM.
Lusa/Fim
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