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" Estou totalmente a favor de que qualquer mulher,
qualquer que seja a sua situação, possa ter acesso à
procriação medicamente assistida (PMA). " Com estas
palavras, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior assume a sua discordância em relação ao
projecto-lei do PS sobre PMA, que se estende também
à possibilidade da maternidade de substituição
Mariano Gago vê-a com reservas, o diploma admite-a.
Considerando que "a grande desigualdade social e
económica que existe em Portugal" poderia fomentar a
existência de situações conhecidas como " barrigas
de aluguer", o ministro - que falava ontem no
encerramento de um colóquio sobre as implicações
éticas, sociais e legais da PMA organizado pela
Comissão de Saúde do Parlamento -, afirmou-se também
"totalmente em desacordo" com aquilo que denominou
de "obsessão irracional em ver em qualquer
aglomerado de células pluripotentes um ser humano".
E exemplificou "Enquanto falo, estou a lançar no ar
partículas de saliva que têm o meu DNA e que
poderão, se não hoje decerto num futuro próximo, ser
utilizadas para dar origem a outro ser humano. Mas
nenhuma delas é, por amor de Deus, um ser humano."
À volta do embrião
Esta posição de Mariano Gago, que fez questão de a
afirmar como "pessoal" , foi tornada pública no
mesmo dia em que a Conferência Episcopal Portuguesa
(CEP) divulgou uma "nota sobre procriação
medicamente assistida". Reconhecendo a legitimidade
do recurso à técnica e a necessidade da regulação
legal da sua prática (em curso no País há 20 anos),
os bispos estabelecem os "limites que a futura lei
não deveria ultrapassar". A PMA deve ser "reservada
a casais heterossexuais", e, para evitar o que
consideram "grave dissociação entre paternidade
genética e social", sem admissão de reprodução
heteróloga, (recurso a óvulos ou espermatozóides que
não provenham do casal). Também a maternidade de
substituição lhes surge como inaceitável.
Vendo o embrião como "vida humana dotada de
dignidade", a CEP quer que se evite a existência de
embriões excedentários, "mesmo destinados a uma
segunda gravidez do casal", e que jamais se use um
embrião "vivo" para investigação.
O excedente de embriões no processo de PMA e qual o
destino que lhes deve ser dado foi um dos assuntos
mais debatidos no colóquio, no qual não foram
abordados os efeitos da técnica nas mulheres a ela
submetidas. A possibilidade de investigação nos
embriões excedentários é porém aceite pelos quatro
projectos-lei aprovados (PS, PSD, PCP e BE), cuja
discussão na especialidade deve iniciar-se em breve.
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