Procriação assistida: ministro defende uma lei para todos
2006/01/10 | 11:19 E não apenas para aqueles que podem pagar os tratamentos.
Governo apoia o projecto de lei do PS, que defende a procriação com recurso a
dador, proíbe a clonagem e apenas permite a utilização de embriões para fins de
diagnóstico ou terapêuticos O ministro da Saúde defendeu hoje uma
lei sobre a Procriação Medicamente Assistida «para todos e não apenas para os
que possam pagar» esta técnica e manifestou o apoio do Governo ao projecto de
lei do PS sobre esta matéria. Este debate acontece numa altura em que
quatro partidos - PS, PSD, PCP e BE - apresentaram
projectos de lei com vista à regulamentação da PMA em Portugal. Para o ministro da Saúde, os quatro
projectos de lei que deram entrada na AR têm «intrínseca qualidade» apesar das
suas divergências. O ministro defendeu, por isso, «uma lei
para todos e não apenas para aqueles que podem pagar os tratamentos». Actualmente as listas de espera nos hospitais
públicos para as técnicas de Procriação Medicamente Assistida são de vários
anos enquanto que nos privados com listas de espera reduzidas são praticados
preços muito elevados. Durante esta intervenção, o ministro
manifestou o apoio do Governo ao projecto de lei do PS que entre vários
princípios defende a PMA «heteróloga (em que o óvulo
ou o espermatozóide pertence a terceiros) com recurso a dador». O projecto de lei defende ainda a
confidencialidade dos participantes nestas técnicas, que proíbe a clonagem e
permite o recurso a técnicas de PMA para prevenção ou tratamento de anomalias,
designadamente de origem genética e infecciosa. Relativamente à utilização de embriões - o aspecto mais polémico da PMA - o PS preconiza que estes
sejam utilizados apenas para fins de diagnóstico ou terapêuticos, proibindo a
sua criação deliberada para fins de investigação ou experimentação científica. Comentários dos
leitores Mpinto 2006-01-10 17:06 A medicina tradicioanl
chinesa (acunputura+fitoterapia),
há muito tempo que resolve problemas de infertilidade sem necessidade de
congelar embriões e anda esta gente a reinventar a roda. Rita 2006-01-10 15:18 Acredito que o Senhor nunca tenha
passado pela situaçao ou então está muito
desesperado. Eu sou mãe de uma bébé de 22 meses que
existe porque eu e o meu marido pudemos recorrer à procriação assistida. No
entanto, temos ainda 2 embriões (obviamente congelados) excedentários porque
felizmente tudo correu bem logo na primeira tentativa. Possivelmente iremos
voltar a recorrer a esta técnica para tentar ter outro filho mas não pense que
é fácil aceitar, sendo ou não católico, que estes embriões sejam utilizados
para qualquer outro fim que não aquele para que foram primeiramente concebidos.
Sinceramente, nesta questão não sei quem é mais tacanho e amoral. Caso olhasse
todos os dias para os olhos do seu filho como eu olho para os da minha pensava
duas vezes como e de onde ela vem e se será assim tão simples doar embriões
para investigação científica, por mais altruísta tal atitude pareça. Zé Pagode 2006-01-10 13:19 Com que então não se pode usar
embriões para investigação científica. É caso para dizer, em Portugal não se
faz nada, compra-se tudo feito. O Governo alinha assim, como já é habitual,
pelas posições tacanhas da Igreja Católica. A consequência é que os outros, com
menos pudores, desenvolvem técnicas nesta área, nós cá ficamos, pobrezinhos e
contentinhos, cheios de ética e moral. Procriação assistida: especialistas contra fundamentalismos
2006/01/10 | 13:11
Vinte anos após o nascimento em Portugal
do primeiro bebé através de uma técnica de Procriação Medicamente Assistida
(PMA), os especialistas nesta área reclamam uma legislação que balize os
procedimentos sem lugar para fundamentalismos políticos ou religiosos. Num debate sobre as implicações éticas,
sociais e legais da PMA, que decorre hoje na Assembleia da República por
iniciativa da Comissão de Saúde, foram várias as vozes que se ouviram sobre as
diversas implicações destas técnicas que se praticam em Portugal desde 1986, sem
qualquer regulamentação. Na Assembleia da República encontram-se
quatro projectos de lei (PS, PSD, PCP e BE), que deverão resultar numa
legislação sobre a PMA, sete anos após uma iniciativa parlamentar ter sido
vetada pelo Presidente da República, Jorge Sampaio. O obstetra e membro do Conselho Nacional
de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), O médico lamentou ainda a
«religiosidade» com que se têm revestido algumas opiniões, criticando a posição
assumida pelo Na sua intervenção, D. José Policarpo
considerou que a actual preparação da legislação que regule a PMA em Portugal é
«um exemplo preocupante» e «nem todas as descobertas da ciência, aplicadas sem
o rigor ético de defesa da dignidade da pessoa humana, são factores de paz». O Em nome da «dignidade do embrião
humano», o cardial patriarca manifestou-se ainda contra «qualquer investigação,
por mais promissora que seja». O especialista recordou que, em 1978,
quando nasceu a primeira criança através de uma técnica de PMA - a inglesa Louise Brown - os cientistas autores da proeza depararam-se com
enormes reticências, apesar de, hoje em dia, ninguém questionar a eficácia da
Fertilização In Vitro
(FIV). Para o nascimento de Louise
Brown, prosseguiu o médico, foram utilizados 101
embriões humanos. "Será que foram 101 assassinatos, 101 infanticídios ou
101 crimes?», questionou. O médico reconheceu que, tal como há
sete anos, quando a legislação aprovada no Parlamento foi vetada por Jorge
Sampaio, subsistem dúvidas nesta área, acrescentadas por outras que entretanto
surgiram. Qual o número ideal de embriões a
transferir para o útero ou o que determina uma taxa de sucesso dos tratamentos
de infertilidade foram alguns dos exemplos apresentados por O «pai» do primeiro bebé-proveta
português, o ginecologista Na altura, «as incógnitas eram mais que
muitas» e o clima de «dúvidas e incertezas» era uma realidade. O especialista partilhou com a audiência
uma constatação a que assistiu durante as duas décadas de prática na área da
medicina da reprodução: «Os projectos parentais que, por utilizarem dadores,
eram potencialmente atípicos, revelaram-se tão ou mais sólidos do que os
processos intra-conjugais». Comentários dos
leitores Contribuinte 2006-01-10 19:00 "Em nome da «dignidade
do embrião humano», o cardial patriarca manifestou-se ainda contra «qualquer
investigação, por mais promissora que seja»." in PD ·
CUIDADO 2006-01-10 14:37 Se uma pessoa ou duas pessoas, quer
sejam de sexos diferentes ou do mesmo sexo, desejarem ter um/a filho/a, na
perspectiva de amá-lo, então porque não? Alguém pôe
em causa os milhares de pais e mães que têm filhos sem os querer? Alquém questiona os pais divorciados ou viuvos
de educarem alguém. Temos que ser coerentes e para com a hipocrisia. Zé Pagode 2006-01-10 14:16 O senhor Cardeal que vá lá tratar dos
assuntos do Céu, que destes assuntos cá da Terra tratamos nós. Têm que meter o
bedelho Procriação medicamente assistida: milagre para diabéticos
2006/01/10 | 17:23
Um jovem diabético que sofre de
ejaculação retrógrada causada pela doença ou uma mulher portadora da mesma
patologia que arrisca a vida se engravidar são alguns exemplos clínicos de
utilização de técnicas de Procriação Medicamente Assistida. Estes casos foram hoje apresentados pelo
presidente da Associação dos Diabéticos de Portugal, José Manuel Boavida,
durante um debate na Assembleia da República sobre Procriação Medicamente
Assistida (PMA): Implicações Éticas, Sociais e Legais. Para José Manuel Boavida, os números da
diabetes em Portugal - à semelhança do que acontece
nos países desenvolvidos - está a aumentar, estimando-se a existência de 500
mil a um milhão de portugueses afectados. Números "assustadores", na sua
opinião, corroborada pelos valores gastos com esta patologia que consome sete
por cento do orçamento da saúde, só em custos directos. A nível reprodutivo, a diabetes custa,
em muitos casos, o desejo da paternidade, como nos casos em que os jovens
doentes são impossibilitados de serem pais por sofrerem de ejaculação
retrógrada. José Manuel Boavida contou a história de
um jovem de 25 anos que, devido a esta deficiência causada pela diabetes, só
consegui ser pai - o que aconteceu há cinco anos -
quando recorreu a uma técnica de PMA, nomeadamente a colheita de
espermatozóides através de uma biopsia testicular. Também muitas mulheres em idade fértil
arriscam a própria vida se engravidarem, devido à diabetes, pelo que a
maternidade de substituição pode ser uma solução. A aplicação terapêutica da PMA foi
igualmente abordada pelo geneticista os doentes. "Há anos que preconizo a existência
de representantes de doentes nos organismos de decisão da PMA", disse,
criticando a possibilidade de um referendo sobre este tema, uma vez que diz
respeito a uma franja da sociedade: entre Para o especialista, que dirige o
serviço de genética da Faculdade de Medicina do Porto, técnicas como o DGPI
"não são uma prática eugénica, nem este
diagnóstico está a trabalhar para a obtenção de indivíduos com dois metros e
campeões de basquetebol". "Estamos a tentar fazer com que a
próxima geração seja mais livre de doenças do que a actual", disse,
garantindo que só em casos clínicos e não por capricho dos pais é que esta
técnica é utilizada. Numa altura em que existem quatro
projectos de lei na Assembleia da República com vista à regulamentação da PMA, "Quem vê caras não vê corações e
quem vê a estrutura morfológica de um ovócito não vê
a sua qualidade intrínseca", disse, especificando que, em casos de
infertilidade por factor masculino, os espermatozóides não são aos milhões,
como numa ejaculação normal que contém entre 20 milhões a 250 milhões destas
gâmetas, e que os ovócitos têm de ser em número
suficiente para resultarem no almejado embrião. Em relação aos embriões excedentários - o tema mais polémico em qualquer discussão sobre PMA - |