Sociais-democratas
dão prioridade à reprodução assistida
PAULA SÁ - EM PONTA DELGADA *
* Com Filomena Naves
Depois da
crise do barco do aborto, a bancada laranja prepara-se para elaborar um
projecto de lei que visa promover a reprodução medicamente assistida. A
condução do projecto ficou entregue à vice-presidente
da bancada Leonor Beleza, ex-ministra da Saúde. A
opção visa claramente dar uma resposta pela positiva, através do apoio a casais
com problemas de fertilidade, às críticas formuladas ao Governo pelo modo como
actuou perante o chamado «barco do aborto».
A reprodução medicamente assistida faz-se em Portugal há
duas décadas, mas sem enquadramento legal. Em 1999, o Parlamento aprovou
legislação, mas Jorge Sampaio vetou-a após os clínicos terem alertado para as
limitações que induziria no tratamento da infertilidade.
O líder parlamentar do PSD, Guilherme Silva, anunciou
também que os deputados vão explicar, pelo País, as medidas mais polémicas do
Governo, como a Lei do Arrendamento e o pagamento diferenciado nos cuidados de saúde.
As duas novidades foram conhecidas à margem dos trabalhos
das jornadas parlamentares do partido, que ontem encerraram em Ponta Delgada.
Na semana em que começa a nova sessão legislativa no Parlamento nacional, os
deputados do PSD estiveram mais preocupados em ajudar o candidato do partido à
chefia do Governo Regional nas eleições de 17 de Outubro. Guilherme Silva
dedicou-lhe parte da sua intervenção, mesclada com um ataque muito forte contra
o PS. Tal como Vítor Cruz, Guilherme Silva acusou o actual líder do Executivo
regional, o socialista Carlos César, de «pressões políticas» inaceitáveis junto
dos açorianos.
«É tempo de assegurar aos Açores um Governo que não
prejudique os açorianos, por razões de mera conveniência político-partidária.
Um Governo que não pactue nem aceite que os Açores sejam instrumentalizados
ao serviço de uma oposição ao Governo da República, que, no Continente, se
revela incapaz de ser alternativa minimamente credível», sublinhou.
O líder da bancada «laranja» transmitia a mesma ideia que
Vítor Cruz tem propalado junto dos açorianos. A de que os Açores, com um
Governo PS, andarão sempre em guerra com o Governo da República. O presidente
do PSD/Açores garante ainda que Carlos César «discriminou» as autarquias
sociais-democratas no arquipélago. «Na sociedade açoriana há medo», garante.
Vítor Cruz mostra-se optimista quanto ao resultado da Coligação Açores (PSD e
CDS), sobretudo se o número de votos nas ilhas mais pequenas desequilibrar o
prato da balança a favor do PSD.
Guilherme Silva atacou ainda Carlos César por nada ter
reivindicado em termos de reforço da autonomia no processo de revisão
constitucional. E estendeu as críticas aos socialistas do Continente: «O que se
passa no PS é um espectáculo lastimável. Acusações pessoais entre os
candidatos, muitas; insinuações de défice democrático, de fraude eleitoral e
clientelismo, bastantes; propostas de soluções para os problemas do País,
nenhumas.»