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Quatro
propostas aprovadas na generalidade em cima da mesa
Parlamento debate a partir de hoje a reprodução
medicamente assistida
10.01.2006 - 11h12 Ana Machado
Com quatro propostas de
diploma legal aprovadas na generalidade desde Outubro, a Assembleia da
República organiza a partir de hoje um colóquio sobre as implicações legais,
sociais e éticas da reprodução medicamente assistida.
A iniciativa, organizada
pela comissão parlamentar de saúde, reúne nomes como António Pereira Coelho
e Alberto
Barros, dois dos mais prestigiados médicos portugueses a
trabalhar nesta área, mas também especialistas em ética médica, entre eles o
padre jesuíta Luís Archer, antigo presidente da
Comité Nacional para a Ética das Ciências da Vida e a actual
presidente dessa mesma comissão, a advogada Paula Martinho da Silva.
O objectivo do encontro é, em primeira linha, elucidar os deputados sobre um
tema de complicados contornos éticos, médicos, sociais e legais, explicou
Maria de Belém Roseira, presidente da comissão parlamentar de saúde, em
declarações ao PÚBLICO feitas em Dezembro.
O que fazer com os embriões excedentários das técnicas de reprodução
assistida, que se acumulam nas clínicas privadas e centros públicos de
tratamento de infertilidade? Até que ponto é que o uso desses embriões deve
ser autorizado para investigação, sem que isso choque com a dignidade da vida
humana? E quem deve ter acesso às técnicas de reprodução assistida e em que condições?
Talvez nem todas estas questões tenham uma resposta fácil. Mas terão de ser
respondidas para que Portugal possa contar com legislação nesta matéria.
Em 1999, quase se conseguiu ter legislação sobre esta prática. Chegou um
documento à secretária do Presidente da República para ser promulgado. Mas a
limitação do número de ovócitos a fertilizar e a
quebra do anonimato de dadores de células sexuais fez com que Jorge Sampaio
vetasse o diploma.
Este ano volta-se a estar
quase a chegar à elaboração da lei. Em Outubro, as quatro propostas dos
quatro maiores partidos com assento parlamentar foram aprovadas na
generalidade. Esperam agora a discussão na especialidade, para que se consiga
gerar um diploma que, finalmente, se transforme em legislação sobre a
reprodução medicamente assistida.
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