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Uma Conferência Internacional sobre o uso de células estaminais no
tratamento de doenças, realizada em Roma, no Vaticano, sob o impulso
da Academia Pontifícia para a Vida e da Federação Internacional das
Associações de Médicos Católicos, merece um destaque especial.
Tantas vezes a Igreja Católica e os cientistas católicos são
acusados de serem inimigos da investigação científica na área da
vida que ao ver como logotipo deste Congresso a imagem de um embrião
in vitro de oito células, dador privilegiado de células estaminais
para alguns, pressenti um sinal da atenção e rigor com os quais os
dois organismos proponentes estudam e conhecem todos os aspectos
científicos da embriologia humana para fundamentarem correctamente
as suas posições éticas, deontológicas e morais.
Claro que o Congresso não foi sobre células estaminais obtidas a
partir da destruição de embriões humanos. A posição negativa do
pensamento católico em relação à destruição de embriões humanos,
seja com que objectivos for, incluindo os que são apresentados como
beneficentes para os seres humanos, é clara e tem uma rigorosa
fundamentação ética - um ser humano não pode ser usado como coisa ou
instrumento - deontológica - o investigador científico, como ser
humano que é, não pode, em nenhuma circunstância, dispor da vida de
outro ser humano - e moral - a forma como uma sociedade de entes
morais trata os seus membros mais vulneráveis, mede a sua vinculação
ao respeito pela dignidade humana.
As intervenções iniciais, protocolares, em especial a do Bispo Elio
Sgreccia, actual Presidente da Academia, explicaram bem que o tema
era, de facto, as células estaminais não embrionárias que têm sido
marginalizadas pelos media, em favor das embrionárias.
Ora a realidade científica, como ficou exuberantemente demonstrado
neste Congresso, é totalmente diferente. Estas células, que existem
no sangue do cordão umbilical, no sangue circulante das pessoas e na
medula óssea, por exemplo, são melhores para o tratamento das
doenças do que as dos embriões.21 comunicações de cientistas de
todos os Continentes, com relevo para os USA e a Austrália,
apresentaram os excelentes resultados já obtidos em aplicações
clínicas. Entre elas relevo as do investigador português Carlos Lima
na melhoria das lesões da medula espinal usando células estaminais
do tecido nervoso obtidas na mucosa olfactiva. Um investigador
australiano mostrou que na mucosa olfactiva há células com
características de função estaminal que originam vários outros
tecidos incluindo o tecido muscular. De todos os resultados
apresentados os mais impressionantes são os relativos ao enfarte do
miocárdio, obtidos por uma equipa alemã.
O sucesso das aplicações das células estaminais não embrionárias no
tratamento de doenças humanas quando comparado com a ausência total
de resultados clínicos usando células de embriões, mostra,
claramente, que os investigadores e as fontes de financiamento já
investem preferencialmente nas células não embrionárias. Alguns dos
trabalhos apresentados eram já financiados por grandes empresas
multinacionais, na linha dos resultados obtidos em doenças do
sistema nervoso, coração e fígado.
A mensagem dos cientistas presentes, do mais alto nível, foi bem
clara: as células estaminais não embrionárias são superiores, na
aplicação ao tratamento das doenças, às células resultantes da
destruição de embriões.
Na sua sabedoria milenar a Igreja Católica já tinha pressentido que
esta devia ser a verdade.
Cientistas independentes vieram a Roma confirmá-lo.
Vamos assistir nos próximos anos a um desenvolvimento espectacular
de tratamentos com estas células estaminais não embrionárias. Que a
posição dos católicos não seja esquecida.
Daniel Serrão, Membro Academia Pontifícia para a Vida
Respeitar a vida
A pesquisa sobre células estaminais merece aprovação e encorajamento
quando conjuga, ao mesmo tempo o saber científico, a tecnologia mais
avançada no âmbito biológico e a ética que postula o respeito do ser
humano em todas as fases da sua existência. Foi o que afirmou, neste
sábado, Bento XVI ao receber em audiência, os participantes no
congresso sobre as células estaminais promovido pela Academia
Pontifícia para a Vida(APV) e a Federação Internacional das
Associações dos Médicos Católicos (FIAMC).
"Perante a supressão directa do ser humano - acrescentou o Papa -
não pode haver compromissos nem subterfúgios; não se pode pensar que
uma sociedade possa combater eficazmente o crime, quando ela própria
legaliza o delito no âmbito da vida nascente".
A Igreja encoraja, desde sempre, a investigação científica que se
dirige ao bem da humanidade e respeita a vida, mas não pode permitir
que a ciência queira "dispor da vida humana", como sublinhou Bento
XVI.
O Papa lamentou as "frequentes e injustas acusações de
insensibilidade" dirigidas à Igreja, justificando algumas
inquietações éticas com a eliminação de embriões: nestes casos,
explicou, "a investigação não se coloca verdadeiramente ao serviço
da humanidade", mas elimina "vidas humanas que têm a mesma dignidade
dos outros seres humanos e dos próprios investigadores".
O presidente da APV, D. Elio Sgreccia, sublinhou os "encorajantes"
desenvolvimentos relativamente à pesquisa sobre células estaminais
adultas. Considerando "providencial" a presença, no corpo humano, de
células capazes de multiplicar-se e diferenciar-se "para regenerar
as células danificadas e reparar tecidos e órgãos".
Este congresso, assegurou D. Sgreccia, confirmou que "o novo caminho
da medicina regenerativa começou o seu histórico e promissor
percurso".
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