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Vaticano pede novos mecanismos legais
e pastorais para a defesa do embrião
Academia Pontifícia para a Vida denuncia
«genocídio»
Agência
Ecclesia,01/03/2006
Especialistas
de todo o mundo estiveram reunidos no Vaticano para debater questões
relacionadas com o estatuto do embrião no Congresso Internacional “O embrião
humano na fase pré-implantatória. Aspectos científicos e considerações
bioéticas”. A iniciativa desenrolou-se de 27 a 28 de Fevereiro, englobada na
da XII Assembleia Plenária da Academia Pontifícia para a Vida (APV), que
hoje se concluiu.
Durante os trabalhos, foram vários os apelos em favor da defesa do embrião
humano, em qualquer fase do seu desenvolvimento. Jean-Marie Le Mené, membro
da APV, defendeu mesmo que “votar num candidato que não respeite o embrião
constitui uma grave falta de caridade”.
O relator dos trabalhos do Congresso centrou-se no dever de “proteger por
lei o embrião, na sua fase pré-implantatória”,
propondo que, também na Igreja, esta
realidade motive novas respostas, como “a criação, em cada diocese, de uma
estrutura estratégica, especializada na defesa da vida e distinta do cuidado
pastoral pela família, reunindo especialistas com convicções profundas sobre
a humanidade e a personalidade do embrião”.
O objectivo seria difundir “uma resistência activa ao genocídio
programado do embrião na fase anterior à implantação, antecâmara da clonagem
humana”. Nesse sentido, a APV
sente a necessidade de “impor a todos os que têm uma função de ensino ou uma
responsabilidade pastoral na Igreja, a nível paroquial, o dever de
exprimir-se sistematicamente, antes de cada consulta eleitoral, e pelo menos
uma vez por ano” sobre o tema da vida.
Os políticos cristãos, em
particular, devem procurar mais do que “não fazer”, avançando, pelo
contrário, com “propostas positivas e inovadoras para proteger o embrião”.
No início dos trabalhos, Bento XVI
manifestou-se em favor da defesa da vida humana, desde a sua concepção até à
morte natural, frisando que, para Deus, não existe diferença entre “o
embrião no ventre da sua mãe, a criança, o jovem, o homem maduro e o idoso”.
O Papa reafirmou a posição da Igreja, para quem “toda a vida humana é
sagrada e inviolável, desde a sua concepção até ao seu fim natural”. Em nome
desta convicção, a Igreja opõe-se ao aborto, à eutanásia e às manipulações
de embriões humanos.
O presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, Cardeal
Javier Lozano Barragán, deu início ao Congresso Internacional, defendendo
que “o tratamento dos embriões para fins científicos é uma outra forma de
supressão da vida”.
Para este responsável da Cúria Romana, é fundamental que o embrião não seja
tratado como mero “material para experiências” ou como objecto de
“manipulações”, no âmbito da engenharia genética, evitando proceder “sem
nenhum respeito pela vida enquanto tal”.
O Pe. Jean Laffitte, vice-presidente da APV, defendeu, por seu lado, uma
profunda reflexão sobre a natureza do embrião para “lhe oferecer um estatuto
jurídico”. “Não podemos dispor da vida humana como dispomos de uma matéria
química ou biológica”, precisou.
Entre os temas em debate, destacou-se a questão do diagnóstico
pré-implantatório, tendo resultado, da reflexão, um alerta para o facto
deste diagnóstico “não ser feito para curar, mas para eliminar os embriões
doentes”.
A Academia Pontifícia para a Vida foi instituída por João Paulo II em 11 de
Fevereiro de 1994, com o Motu Proprio “Vitae Mysterium”. Tem como objectivo
o estudo, a informação e a formação sobre os principais problemas de
bioética e de direito, relativos à promoção e defesa da vida, sobretudo na
relação directa que estes têm com a moral cristã e com as directivas do
magistério da Igreja Católica.
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