Criação de 2 revistas científicas de acesso livre


A "Biblioteca Pública da Ciência" quer combater as tarifas exorbitantes das revistas científicas.

 

 

 

 

 

Desde há alguns anos, um crescente número de investigadores em medicina e ciências da vida pede que estejam livremente acessíveis em formato electrónico os artigos que aparecem em revistas cinetíficas, 6 meses depois da sua publicação. Aduzem que alguns editores estabelecem tarifas de assinatura tão elevadas que as revistas não são acessíveis para universidades de países menos desenvolvidos. Agora os investigadores agrupados na "Biblioteca Pública da Ciência" (www.plos.org) passaram das petições aos actos e criaram duas revistas científicas de livre acesso, A revista PLoS Biology começará a publicar-se em Outubro de 2003 e a PLoS Medicine a meados de 2004.O objectivo é conseguir que sejam revistas tão prestigiadas que atraiam trabalhos de 1ª categoria, até ao ponto de poder competir com as revistas líderes do sector: a britânica Nature e a americana Science. Um dos principais factores do êxito é a autoridade científica do Comité Científico que avalia a qualidade dos artigos propostos. Conscientes deste facto, os responsáveis da PLoS recorreram a peritos que antes realizaram este trabalho em revistas de primeira categoria.
Também se observaram que as revistas científicas que só têm versão electrónica não costumam atrair os artigos mais importantes. Por isso, as duas revistas da PLoS terão também uma versão impressa além da electrónica.
"Sabemos que publicar não é gratuito", declara a Le Monde (24 de Maio de 2003) o biólogo Michael Eisen, um dos fundadores da PLoS. "Há que pagar a estrutura, mas as tarifas exorbitantes não estão justificadas desde que surgiu a Internet.". Também para publicar estas duas novas revistas a PLoS recebeu da Gordon and Betty Moore Foundation um subsídio de 10 milhões de dólares.
Os investigadores que pedem livre acesso aos artigos científicos sublinham que grande parte dessas investigações foi financiada com fundos públicos, pelo que deveriam ser também de acesso público, depois de um prazo após a sua primeira publicação. Pela sua parte, os editores alegam que se acedem a essa petição perderiam subescritores das revistas, com o que correriam o risco de deixar de existir.
De qualquer modo, o movimento a favor do livre acesso vai cobrando amplitude. Assim o demonstra o 1º anuário de revistas de livre acesso que acaba de ser publicado pela Universidade de Lund (Suécia). O anuário (www.doaj.org) dá notícia de umas 350 publicações, que vão desde as ciências exactas às ciências sociais.