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A discussão
de um documento crítico sobre a procriação medicamente assistida (PMA)
vai marcar a Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP),
que decorre em Fátima a partir de hoje.
O documento conterá a posição negativa da hierarquia da Igreja sobre a
PMA, depois de, em Abril, ter acompanhado os movimentos de cristãos
leigos que promoveram um abaixo-assinado que pretendia obrigar o
Parlamento a discutir um eventual referendo sobre a lei da procriação
medicamente assistida.
O porta-voz da CEP, D. Carlos Azevedo, chegou mesmo a reunir-se em
Fátima com elementos desses movimentos, tendo admitido na altura que a
iniciativa dos leigos tinha em conta que o texto da lei - na altura em
preparação no Parlamento - era "altamente ofensivo para a dignidade
humana do embrião", nomeadamente ao permitir que "seja utilizado para
investigação científica", embora para finalidades terapêuticas.
Também a possibilidade de geração de um filho sem um pai e uma mãe
biológicos "unidos entre si por uma relação estável" é contestada pelas
estruturas católicas.
Segundo a ordem de trabalhos desta reunião magna dos bispos católicos p
ortugueses, que se prolongará até quinta-feira, em cima da mesa vai
estar igualmente a análise de um documento sobre "A Transmissão da Fé -
Família, Escola, Universidade e Formação Cristã" (contemplando o papel
da família e dos educadores e professores católicos na transmissão da
fé).
Momento esperado é a abertura dos trabalhos, durante a qual o president
e da CEP, D. Jorge Ortiga, fará uma intervenção abordando os temas que
estão nas preocupações da Igreja em Portugal, com o referendo sobre a
interrupção voluntária da gravidez (IVG) a ser um dos assuntos com
abordagem aguardada na intervenção. Sobre esta questão, a CEP já tomou
posição clara, ao apelar aos fiéis católicos para que votem "não" no
referendo, sublinhando que "o aborto provocado é um pecado grave".
Numa nota pastoral publicada em 20 de Outubro, poucas horas depois de a
Assembleia da República ter aprovado a proposta de realização de um
referendo sobre a IVG, e intitulada "Razões para escolher a vida",
publicada o Conselho Permanente da CEP considerou que "o aborto não é
(...) uma questão exclusivamente da moral religiosa. Ele agride valores
universais de respeito pela vida".
"Não podemos, pois, deixar de dizer aos fiéis católicos que devem votar
'não' e ajudar a esclarecer outras pessoas sobre a dignidade da vida
humana, desde o seu primeiro momento", escreveram os bispos. Segundo o
documento, "o período de debate e esclarecimento que antecede o
referendo não é uma qualquer campanha política, mas sim um período de
esclarecimento das consciências". Assim, "a escolha no dia do referendo
é uma opção de consciência, que não deve ser influenciada por políticas
e correntes de opinião", lê-se na nota pastoral, que acrescenta que os
bispos não entram "em campanhas de tipo político", mas que não podem
"deixar de contribuir para o esclarecimento das consciências".
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