Lei da Procriação Medicamente Assistida fiscalizada pelo TC

Comité Pró-Referendo vai solicitar pareceres

 

O TC vai apreciar da legalidade e constitucionalidade de soluções como o uso de embriões para experimentação, clonagem, maternidade de substituição, criação de bancos de esperma e ovócitos, anonimato do dador ou o direito de conhecer o pai biológico.

 

O Comité Pró-Referendo à Procriação Medicamente Assistida (PMA) disse, ontem, que vai pedir pareceres a cientistas e juristas de "renome", que juntará ao pedido de fiscalização de constitucionalidade feito por deputados do PSD e CDS-PP.
Quinta-feira, um grupo de deputados do PSD e CDS-PP, que tem dúvidas quanto à Lei de PMA, divulgou que iria entregar, ontem, no Tribunal Constitucional (TC) um pedido de fiscalização do diploma, que "pode colidir com princípios básicos da Constituição e da Convenção de Oviedo sobre os direitos do homem e biomedicina".
Segundo o Comité, o TC irá agora apreciar da legalidade e constitucionalidade de soluções legislativas consagradas na lei, como sejam o uso de embriões para experimentação, a clonagem, a maternidade de substituição, a criação de bancos de esperma e ovócitos, o anonimato do dador ou o direito de conhecer o pai biológico.
"É com enorme expectativa que o Comité aguarda serenamente um juízo legal, científico e jurisprudencial sobre estas matérias", diz o Comité, frisando que solicitará a cientistas e juristas de "renome" pareceres sobre tais questões, que juntará ao processo agora aberto no TC.

Petição Pró-Referendo
discutida na quarta-feira

O Comité Pró-Referendo à PMA lembra que na próxima quarta-feira será discutida em Plenário na Assembleia da República (AR) a petição Pró-Referendo à Lei da Reprodução Artificial.
"Depois de todos os esforços, concretiza-se o pedido de 82 mil cidadãos portugueses de verem a sua petição debatida de forma séria no plenário" da AR, refere em comunicado.
Para o Comité, a iniciativa popular não esgota o trabalho a desenvolver e "é tempo de continuar os esforços no terreno do esclarecimento público, do debate científico e de acompanhamento do problema da infertilidade".
Aponta ainda a existência de uma lei que o Parlamento aprovou sem para tal estar legitimado, alegando que nenhum partido se apresentou ao eleitorado com um programa sobre esta questão.
"A nossa motivação não é ideológica, não é um problema que se identifica com a lei em si, é, antes de mais, o entendimento dos valores civilizacionais que caracterizam o povo português", conclui o comité.

 

Agência Lusa