
Fiscalização da
constitucionalidade
Reprodução assistida chega hoje ao Tribunal Constitucional
10.11.2006 Leonete Botelho
Um grupo de 31
deputados do PSD e do CDS-PP entregam hoje, no Tribunal
Constitucional, um pedido de fiscalização sucessiva da
constitucionalidade da lei da procriação medicamente assistida
(PMA), por considerarem que há disposições que violam a lei
fundamental, já promulgada pelo Presidente da República.
Teresa Venda e
Rosário Carneiro, do Movimento Humanismo e Democracia, eleitas
deputadas nas listas do PS também deverão subscrever o pedido, que
já excedeu largamento as 23 assinaturas, equivalentes a 10 por cento
do total dos parlamentares, exigidas para o efeito.
"É a primeira vez que um conjunto de deputados recorre à
fiscalização sucessiva da constitucionalidade sem que o Presidente
da República o tenha feito", afirmou um dos dinamizadores do pedido,
Gomes da Silva, do PSD, em declarações à Rádio Renascença. Que
acrescenta: "Lamentamos que o Presidente da República não o tenha
feito, discordamos da sua decisão."
São 22 os deputados do PSD que assinam o pedido, entre eles
Guilherme Silva, Regina Bastos, Rosário Águas, Mota Amaral, Fernando
Negrão, Helena Lopes da Costa e Feliciano Barreiras Duarte. Pelo
CDS-PP, nove dos 12 deputados subscrevem o documento, entre eles
Pedro Mota Soares e José Paulo Carvalho.
O pedido de fiscalização da constitucionalidade da PMA acontece a
poucos dias da votação de uma petição de iniciativa popular por um
referendo à reprodução assistida, que foi entregue no Parlamento no
dia da aprovação da lei, provocando forte polémica em torno da
votação. A petição deverá ser chumbada pela maioria, mas o grupo
dinamizador da petição, dirigido pela ex-deputada do PSD Isilda
Pegado (também presidente da Federação Portuguesa de Defesa da
Vida), nunca desistiu de tentar "abortar" a lei, recorrendo mesmo ao
Presidente da República nesse sentido.