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O Conselho Nacional de Ética para as
Ciências da Vida (CNECV) começa por classificar de «eticamente
inaceitável» a «constituição, por fecundação, de embriões humanos
exclusivamente para fins de investigação científica, designadamente para
deles se obterem células estaminais».
Para o Conselho, «a destruição de embriões criopreservados com o fim
específico de obtenção de células estaminais destinadas a investigação
constitui uma instrumentalização contrária à sua dignidade».
Contudo, o CNECV considera que «a colheita de células estaminais de
embriões, que não é por si própria causa de destruição desses embriões,
não levanta objecções éticas».
«O potencial benefício para a humanidade da informação que pode vir a
ser gerada pela investigação científica justifica que sejam utilizadas,
para tal fim, células estaminais obtidas a partir de embriões retirados
de criopreservação por motivos alheios à colheita destas células
estaminais», refere o relatório.
O conselho considera que o recurso a células estaminais é uma via
promissora para o tratamento de determinadas doenças. Ainda assim,
entende que é prematuro criar grandes expectativas sobre a cura dessas
doenças.
Paula Martinho da Silva, presidente do Conselho, avisa que ainda há
muito para saber sobre este tipo de investigação: «há que ter precaução
com as expectativas daquilo que ainda se está a investigar e que ainda
não tem respostas seguras». |