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«Proceedings of the National Academy of Sciences»
É possível retirar células estaminais de dentes de leite?
Cientistas norte-americanos, na área da medicina dentária, perceberam que os dentes de leite das crianças podem ser uma fonte alternativa de células estaminais

Songtao Shi, do «National Institute of Dental and Craniofacial Research», nos Estados Unidos, pegou num dos dentes de leite da filha, Julia, e em conjunto com uma equipa de investigadores, examinou-o em laboratório. Perceberam que podia haver ali material para prosseguir a investigação: haviam conseguido extrair células estaminais vivas do tecido encarnado presente no dente de Julia. Estas células têm a capacidade de se transformar em qualquer outro tipo de células que compõem as diversas partes do corpo humano: desde o fígado aos neurónios, à pele ou aos dentes.

O resultado do trabalho foi publicado na última edição da revista «Proceedings of the National Academy of Sciences», dando conta da principal conclusão a que chegaram: os dentes de leite das crianças, que caem normalmente entre os seis e os sete anos de idade, podem ser uma fonte alternativa de células estaminais. Esta pesquisa torna-se particularmente valiosa devido às barreiras ético-morais que têm sido levantadas em torno do eventual recurso a embriões humanos (excedentes de técnicas de fertilização artificial) como fonte primordial de células embrionárias.

A equipa de investigadores - considerando uma amostra maior do que apenas o dente da filha de Songtao Shi - manipulou as células que conseguiu isolar, transformando-as em células que formam o osso humano, em dentina (um dos componentes dos dentes) e células nervosas. Talvez o último exemplo seja o que maior interesse poderá despertar na comunidade científica, uma vez que poderá ser o primeiro passo para se conseguir tratar, daqui a alguns anos, danos cerebrais.

Peter Andrews, investigador na Universidade de Sheffield na área das células estaminais, reagiu ao avanço da equipa norte-americana em declarações à BBC Online: «é plausível». O especialista comenta, no entanto, que a fonte primordial e preferencial, mais prática, deste tipo de células continua a ser o embrião humano. As células encontradas aqui «São as melhor definidas e caracterizadas – e nós sabemos como é que elas se podem transformar em muitas coisas diferentes». Este investigador defende que é aqui, no embrião humano, que se encontram as células «sobre as quais nós sabemos mais».

Fonte: BBC Online

Rosalina Grilo
rosalina.grilo@cmv.pt

 

 

[23 de Abril de 2003]