Células Estaminais Podem Dar Origem a Óvulos
Quarta-feira, 02 de Julho de 2003

A criação de óvulos em laboratório parece já ter estado mais longe, de acordo com os relatos de uma equipa norte-americana e brasileira, apresentada no encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Madrid. O grupo liderado por Peter Nagy, da Universidade do Connecticut e do Centro de Investigação em Reprodução Humana de São Paulo, juntou o núcleo de uma célula estaminal com um ovócito desprovido previamente do seu núcleo, e quase conseguiu criar o primeiro óvulo em laboratório.

Apesar de se criar um óvulo com esta técnica, o que poderia fazer pensar que se estava a fazer clonagem humana, a equipa explica que a técnica, chamada haploidização, está longe da clonagem. O facto de ser usada uma célula estaminal da própria mulher que dá o ovócito, e deste ser esvaziado do seu núcleo (onde se encontra o património genético), faz com que sejam usados apenas 23 cromossomas. O que se está a criar assim é aquilo a que se chama uma célula haplóide, com a carga genética de apenas um dos seres envolvidos na criação. Para formar um novo ser humano, com 46 cromossomas, é preciso que óvulo seja fertilizado por um espermatozóide maduro - ou seja, com 23 cromossomas também.

Da primeira vez a experiência não correu bem, confessam os cientistas. Durante o desenvolvimento do óvulo houve aquilo a que chamam um desalinhamento dos cromossomas. Mas a equipa garante que esta dificuldade pode ser ultrapassada.