Walter Osswald

 

Devemo-nos abster de discutir a eventual superioridade das células estaminais embrionárias ou adultas, misturando argumentos ideológicos com evidência experimental.

É necessário um bom trabalho cientifico comparando sob estritas condições os dois tipos de células no que respeita a bem definidos parâmetros (expansão, diferenciação, adaptação, etc.). Isto significa que é demasiado cedo para parar a investigação sobre um destes tipos de células pois precisamos de mais informação.

Depois, devido a respeitáveis objecções éticas, o uso de células estaminais embriónicas deve ser o mais restrito possível. E por essa mesma razão essas células primordiais devem ser obtidas exclusivamente de partes de embriões, isto é de embriões constatados como inadequados para os fins normais de procriação.

Não há fundamento cientifico nem necessidade prática de produzir embriões por fertilização in vitro ou clonagem, em ordem a obter células estaminais embriónicas. Estas práticas encontram pela frente fortes objecções éticas e inclusivamente são proibidas por diversas legislações incluindo a Convenção de Oviedo.

Novas vias de investigação estão a ser seguidas que evitam problemas práticos (por exemplo, a escassez de ovócitos) e éticos e que ensombram a investigação sobre células estaminais. A manipulação de células provenientes da medula ou da pele no sentido de as tornar diferenciadas e adoptadas por diversos tecidos, tratar células de outros organismos de forma a que possam evadir o sistema imunitário do corpo, reprogramar células adultas em ordem a dediferenciá-las tornando-as mais “primitivas” e parecidas com células estaminais e usar células obtidas de ovócitos ou esperma são estratégias que podem revelar-se como importantes inovações.

Os relatórios do comité de bioética da união europeia aconselha vivamente a que se intensifique a pesquisa em células adultas e se continue a comparar os resultados com aqueles obtidos a partir de células obtidas de partes de embriões e que a clonagem como método de obtenção de células estaminais deve ser considerada prematura e não permitida. Como comentado num editorial da revista “Nature” de 2000, “este último relatório de doze sábios da União Europeia, presta um serviço à ciência ao proporcionar uma ponte entre as legitimas preocupações da sociedade sobre estas questões (tais como as que se referem aos direitos do embrião) e dão aos cientistas uma oportunidade de abordagens alternativas, em vez de por todos os ovos no mesmo cesto”.