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Debater a
Clonagem É Importante para Vencer Medos
Aprofundar um pouco mais do que falamos quando falamos sobre clonagem, para desfazer os mitos em redor do tema, foi o objectivo do debate "Clonagem: desfazer os mitos", organizado esta semana pelo Hospital de Santa Marta, em Lisboa. O que é preciso é pensar e discutir o assunto, sublinhou Alexandre Quintanilha, director do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto: "Dou-me por feliz se no final deste debate sairmos daqui todos mais confusos do que entrámos." Além de Quintanilha, participaram Luís Moita, vice-reitor da Universidade Autónoma de Lisboa e Peter Stillwell, professor de Teologia da Universidade Católica. Manuela Lima, médica de Santa Marta e moderadora da discussão, chamou à atenção a necessidade do debate na luta contra os medos que o tema instaurou. Para Quintanilha, o ser humano é fruto não só do seu ADN mas também do seu meio, da cultura e da sociedade em que vive, pelo que nenhum clone seria uma cópia fiel do dono da célula que lhe teria dado origem. Não há que ter receio de falta de identidade do clone - um dos argumentos mais apresentados pelos que se opõem à clonagem reprodutiva. "E os gémeos idênticos, que são muito mais iguais geneticamente que um clone? E a clonagem cultural, a que muitas crianças estão sujeitas?", continuou. Mesmo assim, Quintanilha é crítico em relação à clonagem: "Hoje em dia, a clonagem reprodutiva é muito perigosa. Mas são os argumentos técnicos que fazem com que me oponha, não os éticos", afirmou. É-lhe difícil aceitar racionalmente a clonagem terapêutica, para fins medicinais, e recriminar a reprodutiv, sublinhou. Luís Moita frisou, no entanto, que são as dúvidas que imperam em toda a discussão sobre a clonagem. E enquanto assim for, o melhor será agir para fazer vigorar uma moratória, que proíba a prática, ou mesmo uma interdição jurídica. Mas reconhece que, se um dia os clones existirem entre nós, deveremos aceitá-los como nossos semelhantes. "Se algum dia eles vierem a existir." Neste sentido, Peter Stillwell admite que subordinar a proibição da clonagem ao que é natural ou não lhe parece uma fraca lógica. Mas acrescenta que, visto a vontade da maioria ser pela proibição, pelo menos da clonagem reprodutiva, o facto de vivermos em sociedade, e devermos uns aos outros respeito mútuo, deveria bastar para a pôr de lado.
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