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Bebês de proveta. Vidas que tiveram origem num laboratório. Crianças que
nasceram através de inseminação artificial. Catherine
e Robert tiveram um filho. Voltaram à clínica,
querem mais dois.
As técnicas são cada vez mais sofisticadas. A
demonstração é feita num embrião de rato. O raio laser corta um pedaço da
membrana. Já é possível testar o embrião para descobrir doenças antes mesmo
dele ser implantado. Mas a inseminação nem sempre dá certo.
É preciso produzir vários embriões para garantir uma
gravidez. Os embriões não aproveitados são mantidos em nitrogênio
líquido, a 196 graus abaixo de zero.
Dentro de umas espécies de “congeladores” crescem os
embriões que serão implantados em alguns dias. Muitos outros são congelados.
Num centro de fertilização, eles chegam a 4 mil. Estatísticas recentes
mostram que existem nos Estados Unidos 400 mil embriões congelados.
Para alguns, principalmente os mais religiosos, estas
não são vidas descartáveis, mas bebês esperando
para nascer. O que fazer com os embriões que não forem aproveitados? “Acho
que vamos doá-los. Nunca paramos para pensar nisso. Pensamos primeiro em formar
nossa família”, diz Robert.
Para casais com problemas de fertilidade, embriões
congelados são a garantia de que a família pode crescer a qualquer momento.
Mas e quem desiste de ter mais filhos? E quem se separa? Destruir um embrião
é o mesmo que acabar com uma vida?
Gabriela acha que não. Foram três anos de espera. A
inseminação permitiu que ela ficasse grávida de gêmeos.
Se tivessem sobrado embriões, ela diz que doaria para pesquisa científica.
Michael e Carole fizeram isso. Eles têm dois filhos,
que nasceram através de inseminação artificial. Os embriões que sobraram
foram doados para uma universidade, que pesquisa a cura do
diabetes juvenil. Michael ficou com medo de
dar os embriões para outro casal. “O risco é de um dia aparecer uma mulher na
porta de minha casa dizendo: ‘Sou sua filha’”, diz ele.
Nos Estados Unidos, 30 mil embriões congelados
pertencem a casais que não querem ter mais filhos. Eles podem autorizar as
clínicas a destruir os embriões.
George e Linda tiveram filhos usando inseminação artificial. Do processo,
sobraram 11 embriões congelados. “Queria dar a eles uma chance
de viver”, afirma Linda. “Abrir mão de um filho em potencial. Foi uma decisão
difícil”, comenta George. Eles decidiram doar os
embriões para um casal. Tim e Courtney
foram os escolhidos e guardam uma foto da doação. Courtney,
que não podia ter filhos, já está grávida. Os casais trocam mensagens pela internet. “Não tenho palavras para agradecer”, agradece Courtney.
A espera mais longa até agora aconteceu nos Estados Unidos.
Uma criança nasceu de um embrião que ficou dez anos congelado. Numa clínica
de Nova York, o doutor James
Stelling explica: “Se o nitrogênio
líquido for trocado sempre e a temperatura mantida, o embrião pode ficar
congelado para sempre.” Mesmo que se quisesse ter um filho daqui a um século?
“Obviamente haveria questões éticas, mas tecnicamente pode ser feito”, afirma
Stelling.
No filme “Parque dos Dinossauros”, o cinema imaginou:
espécies reaparecem muito tempo depois da extinção. Qual será o futuro dos
embriões congelados? A tecnologia que ajuda a criar vida também cria dilemas
éticos. Para eles ainda não há respostas.

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