Infertilidade nas mulheres: uma situação difícil

Um em cada seis casais tem que lidar com a difícil situação da infertilidade. Em 40% dos casos este é um problema no feminino.
No nosso país, a população feminina entre os 20 e os 44 anos é de 1,8 milhões de mulheres e a prevalência de infertilidade ao ano é de cerca de 14%. As inovadoras técnicas de procriação medicamente assistida proporcionam algumas das respostas para ultrapassar a infertilidade.

A infertilidade é um drama actualmente partilhado por muitos casais. Segundo a Organização Mundial de Saúde, perto de 10% da população tem este problema, o que, traduzido em números, significa que cerca de 80 milhões de pessoas em todo o mundo vivem a experiência de não conseguir conceber um filho. Segundo os especialistas, para que seja admitida esta definição de infertilidade, é necessário que um casal não consiga dar origem a uma gravidez um ano depois de manter relações sexuais regularmente sem recorrer a qualquer método anticoncepcional.
Quando é atingido este ponto é preciso passar à fase seguinte, não menos dolorosa para os envolvidos, que consiste em tentar saber onde reside a causa da incapacidade. Para isso, são necessárias análises e vários testes que permitam chegar a um diagnóstico final.
Pode haver a tendência para pensar que a infertilidade é, em regra, um problema feminino. A Dr.ª Madalena Barata, responsável pelo recém-criado Centro de Medicina da Reprodução do Instituto de Urologia, mostra qual é a realidade: «Quarenta por cento dos casos são originados por um problema reprodutor feminino, em 30% das situações a origem está no homem e noutras tantas são causadas por problemas comuns aos dois.» Esta especialista explica quais são as razões mais frequentes de infertilidade nas mulheres: «Os principais factores prendem-se com a ovulação e com alterações anatómicas da cavidade peritoneal. A doença inflamatória pélvica e a endometriose também levam a aderências e obstrução tubária.» No que diz respeito à ovulação as complicações podem decorrer da irregularidade ou da total ausência de períodos menstruais.
Quanto à obstrução das trompas de Falópio, este é o defeito anatómico que mais frequentemente está na origem da infertilidade. Nos países em vias de desenvolvimento esta é uma situação mais comum, pois é uma consequência directa da elevada taxa de infecções que atingem o aparelho reprodutor e da alta incidência de doenças sexualmente transmissíveis.
Ainda no conjunto das causas, sabe-se que 70% das mulheres que sofrem de endometriose passarão pela experiência de infertilidade. Isto acontece porque estas lesões bloqueiam as trompas de falópio ou interrompem a ovulação.
Existem ainda problemas da cavidade e do colo do útero, factores imunológicos e causas desconhecidas que levam a que não haja fertilidade, e consequentemente gravidez.

Quando optar pelo tratamento?

A medicina da reprodução sofreu um grande impulso neste último século. «Até 1833 pensava-se que o embrião estava pré-formado no corpo da mulher e que o sémen masculino apenas lhe dava forma e força», conta Madalena Barata.
Desde aí até ter sido concebida a primeira criança por fecundação in vitro, em 1978, foi dado um passo de gigante nesta área da medicina. E, só no espaço de 22 anos, já nasceram centenas de milhares de crianças através desta técnica e milhares através da microinjecção intracitoplasmática, nascimentos estes que antes dos métodos de procriação medicamente assistida nunca teriam sido possíveis. E é precisamente nestes métodos inovadores que reside muitas vezes a última esperança dos casais que lidam com problemas de fertilidade. «As técnicas de reprodução medicamente assistida são todas aquelas que englobam a estimulação da ovulação e a punção aspirativa dos folículos ováricos para a obtenção das células reprodutoras femininas», esclarece a especialista.
Os casais costumam ser aconselhados a recorrer a estes métodos depois de viverem durante três anos, ou mais, uma situação de infertilidade não explicada.
«Na população europeia já se realizaram cerca de 200 mil ciclos de reprodução medicamente assistida e cerca de 480 mil inseminações intra-uterinas», avança Madalena Barata.
Destas técnicas de reprodução assistida uma das mais conhecidas é a fertilização in vitro, que apresenta uma taxa de sucesso de 25% por cada ciclo de tratamento realizado em mulheres com menos de 40 anos.
Quando este método se mostra ineficaz, existe ainda a possibilidade da microinjecção intracitoplasmática. «Esta técnica realiza-se quando a qualidade do esperma não permite fecundação in vitro, isto é, não existem pelo menos 250.000 espermatozóides móveis por cada óvulo que se pretende fecundar», adianta a médica. As principais preocupações associadas a estes tratamentos têm a ver com alterações genéticas e com possíveis investigações científicas envolvendo embriões humanos. No entanto, Madalena Barata acredita que não há razões para este receio: «Até agora, a maioria dos dados são tranquilizadores em relação à incidência de malformações em crianças nascidas por acção de técnicas de medicina da reprodução.»

Resultados do tratamento

O sucesso de qualquer tratamento para a fertilidade depende de factores importantes, tais como:

  • Duração da infertilidade antes do início do tratamento;
  • Idade da mulher na altura em que iniciou o tratamento, pois a fertilidade feminina começa a diminuir aos 35 anos e reduz-se drasticamente depois dos 40;
  • Existência de problemas de fertilidade no homem.

Novo Centro de Medicina da Reprodução

No Instituto de Urologia (IU), em Lisboa está instalado o novo Centro de Medicina da Reprodução, dirigido pela Dr.ª Madalena Barata. Foi a partir das consultas de andrologia e urologia, que já há algum tempo são feitas neste instituto, que surgiu a ideia da criação de um novo centro para reprodução medicamente assistida. A inauguração oficial teve lugar no dia 21 de Janeiro.
Segundo a médica responsável, a grande vantagem deste novo serviço prestado no IU «é o facto de estar inserido num ambiente hospitalar, o que permite que o casal seja acompanhado em todas as fases, desde o momento em que é feito o diagnóstico de infertilidade».

Em Portugal existem mais sete centros deste género para dar resposta aos 10 mil casais que estão em tratamento e aos 252 mil novos casos de infertilidade que surgem todos os anos.

A responsabilidade editorial e científica desta informação é da JAS Farma, Comunicação.

 

Infertilidade está a aumentar em todo o mundo


Uma nova terapêutica para a infertilidade reduz para menos de metade o tempo de preparação para a fertilização in vitro, ultrapassando as várias fases do pré-tratamento tradicional. Evita assim, “uma carga psicológica negativa para o casal e diminui o tempo de tratamento, desconforto, stress e custos”.

Lisboa, 20 de Março- Um novo tratamento para a infertilidade reduz para menos de metade o tempo de preparação para a fertilização in vitro e outras técnicas de reprodução assistida. Segundo os estudos já realizados, este período de preparação pode ser encurtado para dez dias e, segundo especialistas internacionais, é possível melhorar as taxas de sucesso.

“Estes fármacos permitem tratamentos mais curtos, menos ampolas de gonadotrofinas, isto é medicamentos que estimulam a produção de óvulos, e por outro lado têm uma maior segurança e eficácia que está demonstrada”, esclarece o especialista em medicina de reprodução, Cristiano Oliveira, sublinhando que, uma vez que “o tempo de tratamento e as doses terapêuticas são menores, há vantagens manifestas para o casal”.

Para além disso, alguns estudos demonstraram que doentes tratadas como tendo um prognóstico “favorável e”“normal” conseguiam uma taxa de sucesso de mais ou menos 40 por cento por cada ciclo de tratamento.

A nova substância, ganirelix, pertence a uma classe inovadora de medicamentos para a fertilidade, conhecida como antagonistas da GnRH (hormona libertadora das gonadotrofinas), cuja função é prevenir uma luteinização prematura, “por outras palavras evita uma ovulação precoce não desejada, permitindo a recolha de óvulos de qualidade e com segurança”. Devido ao seu efeito imediato, as várias fases do pré-tratamento são ultrapassadas e o tempo encurtado.

Para Cristiano Oliveira a redução do tempo de preparação da fertilização in vitro é um dos grandes benefícios do tratamento: “um dos aspectos negativos das terapêuticas convencionais é o facto da mulher ser submetida durante três, quatro semanas a injecções diárias, o que acaba por ter uma carga psicológica muito negativa. Portanto, a diminuição do tempo de preparação, “traduz-se numa melhoria significativa, quer em termos de tempo, desconforto, stress e custos”.

De acordo com o especialista, a infertilidade é um problema mundial que tem vindo a crescer e “nesse sentido, estima-se que atinge cerca de 6 a 7 por cento da população. Em Portugal, realizam-se por ano mais de dois mil tratamentos em termos de reprodução assistida, nomeadamente fertilização in vitro e microinjecção.

Ao mesmo tempo, tem-se verificado um crescimento muito acentuado do número de consultas de esterilidade “aumentando necessariamente o número de casais que realizam este tipo de técnicas para resolver os seus problemas de infertilidade”.

Para além disso, “a experiência diz-nos que os casais a tratar poderão ser muito mais do que os que actualmente recorrem às consultas”. Cristiano Oliveira refere que comparando os dados de Portugal com países com uma taxa populacional semelhante, nomeadamente, a Grécia e a Holanda, “o número de tratamentos é duas a três vezes superior”.

Segundo o especialista de reprodução assistida, os casos de infertilidade dividem-se em 50 por cento de causa masculinos e 50 por cento de causa femininos e o que se sabe “é que os casos de causa feminina são habitualmente de resolução mais complicada”, esclarece Cristiano Oliveira, acrescentando que quando o factor é exclusivamente masculino, consegue-se solucionar o problema em cerca de 80 por cento dos casos.

Nesse contexto, Cristiano Oliveira refere que o factor psicológico é muito importante: “a infertilidade em si, cria um grande stress e ansiedade que necessita muitas vezes de acompanhamento, já que apesar de tudo, estas terapêuticas têm limitações”. O especialista revela que embora haja uma evolução e aumento progressivo de ano para ano, a taxa de sucesso das técnicas de reprodução assistida anda à volta dos 30 por cento por ciclo de tratamento”.

Cristiano Oliveira enumera como problemas mais comuns no homem, a falta de mobilidade ou diminuição da quantidade e da qualidade de espermatozóides, e no que diz respeito à mulher, para além da idade, a obstrução das trompas de Falópio ou a deficiência da ovulação. Por outro lado, “factores associados ao estilo de vida, como o tabaco, o stress e o aumento do consumo de álcool parecem condicionar a fertilidade do casal”.

20 de Março de 2003

 

Técnicas de reprodução assistida têm de ser rápidas, fáceis e cómodas

A infertilidade está a aumentar no mundo ocidental e são cada vez mais os casais a precisar de tratamento. Por isso, “é fundamental existirem técnicas que permitam melhorar os resultados e sejam cada vez mais cómodas para a doente”. Uma nova terapêutica para a infertilidade reduz para menos de metade o tempo de preparação para a fertilização in vitro.

Lisboa, 24 Maio - As taxas de infertilidade no mundo ocidental estão a aumentar e, por isso, são cada vez mais os casais que precisam de tratamento, revela o especialista britânico de medicina de reprodução, William Ledger, dando como exemplo os casos da Alemanha, “em que 2,4 por cento dos novos bebés nascem através de fertilização in vitro (FIV), e do Reino Unido, com 0,4 por cento de nascimentos através desta técnica”.

A idade, a obstrução das trompas de Falópio ou a deficiência da ovulação e os factores associados ao estilo de vida, como o tabaco, o stress e o aumento do consumo de álcool, parecem condicionar a fertilidade do casal.

“Por um lado, as mulheres adiam a decisão de terem filhos e quando surgem aos 35 anos com um problema de fertilidade é muito mais difícil de tratar do que aos 25. Por outro lado, o aumento de infecções por clamídia nas doenças sexualmente transmissíveis é também responsável por alguns casos de infertilidade”, considera William Ledger.

Por isso, segundo o especialista, “é fundamental existirem técnicas que permitam melhorar os resultados e sejam cada vez mais cómodas para a doente”.

Nesse sentido, um novo tratamento para a infertilidade reduz para menos de metade o tempo de preparação para a FIV e outras técnicas de reprodução assistida. Segundo os estudos já realizados, este período de preparação pode ser encurtado para dez dias, para além de serem necessários menos medicamentos que estimulam a produção de óvulos, com uma maior segurança e eficácia demonstrada.

“Estes novos fármacos são um grande avanço, pois embora não melhorem a taxa de sucesso de uma gravidez, são mais eficazes que os procedimentos convencionais e mais rápidos, fáceis e cómodos”, sublinha Ledger.

A substância, ganirelix, pertence a uma classe inovadora de medicamentos para a fertilidade, conhecida como antagonistas da GnRH (hormona libertadora das gonadotrofinas), cuja função é evitar uma ovulação precoce não desejada. Devido ao seu efeito imediato, as várias fases do pré-tratamento são ultrapassadas e o tempo encurtado.

A redução do tempo de preparação da fertilização in vitro é um dos grandes benefícios do tratamento. William Ledger explica que “um dos aspectos negativos das terapêuticas convencionais é o facto da mulher ser submetida durante três, quatro semanas a injecções diárias, o que acaba por ter uma carga psicológica muito negativa. Portanto, os novos fármacos estão a tornar o processo mais fácil para as mulheres, quer em termos de tempo, desconforto, efeitos secundários ou stress”.

A taxa de sucesso das técnicas de reprodução assistida anda à volta dos 30 por cento por ciclo de tratamento. Segundo William Ledger, “se uma mulher tiver menos de 37 anos terá uma gravidez bem sucedida numa em cada três tentativas”.

Lisboa, 26 de Maio de 2003

 

Problemas para conceber? Técnicas de reprodução assistida

Todos os anos aumenta o número de pessoas que recorrem à reprodução assistida para ter filhos. Isto não significa que haja mais casais estéreis, mas sim uma maior procura das técnicas de fertilidade, porque os cidadãos têm mais informações a este respeito. A planificação tardia da primeira gravidez por parte das mulheres, contribui para aumentar o problema já que, passados os 35 anos, a fertilidade feminina desce consideravelmente.

Quando um casal recorre a um centro médico, submete-se a um exaustivo estudo para determinar se existe alguma circunstância que impeça a concepção. O habitual é começar pelo homem, porque o seu aparelho reprodutor é mais simples, e seguir com a mulher. Mas a infertilidade é uma das poucas situações nas quais o paciente, é um conjunto de duas pessoas.

O problema é de dois, o tratamento é para dois e o êxito ou fracasso é dos dois. Os resultados das provas determinam o caminho a seguir. Às vezes, o impedimento elimina-se com medicamentos ou mediante uma pequena intervenção cirúrgica. O futuro é de esperança e as últimas técnicas permitem solucionar casos, até agora impossíveis.

Indução Ovárica

Em que consiste

Induz-se a mulher para que ovule, dando-lhe hormonas mediante injecções. Em seguida vê-se a evolução dos folículos através de uma ecografia para escolher o dia mais indicado para a fecundação.

Está indicada

Quando o estudo de infertilidade não mostra nada anormal e, em geral, em todas as técnicas de reprodução assistida.

% de êxitos

70% das mulheres tratadas com hormonas chega a ovular. Metade delas consegue engravidar no prazo de seis ciclos menstruais.

Inseminação artificial

Em que consiste

Trata-se de depositar os espermatozoides dentro do útero. O homem leva o seu sémen ao laboratório. Os biólogos seleccionam os espermatozoides de maior qualidade e injectam-nos com um cateter, através do colo uterino, com prévia estimulação ovárica. Se não há espermatozoides de qualidade, recorre-se a um banco de sémen.

Está indicada

No caso de infertilidade masculina leve ou moderada, ou de origem desconhecida; ou quando a mulher tem alterações no muco cervical.

% de êxitos

15-20% por tentativa e 40-60% após quatro tentativas. Com sémen de um doador: 20-25% por tentativa e 60-70% após quatro tentativas.

Fecundação In vitro

Em que consiste

Há que extrair vários óvulos à paciente ou a uma doadora e fecundá-los com sémen do companheiro ou de um doador, no laboratório. Os embriões resultantes (de dois a quatro) implantam-se no útero. A mulher recebe, antes, estimulação ovárica.

Está indicada

Quando a mulher sofre obstrução das trompas, endometriose obstrutiva ou disfunção ovárica grave; e quando há esterilidade masculina grave ou severa, ou de origem desconhecida.

% de êxitos

30-50% por tentativa e 40-85% após quatro tentativas. Com doação de óvulos: 65% por tentativa e 90-95% após quatro tentativas.

Microinjecção (ICSI)

Em que consiste

Na microinjecção intracitoplasmática de esperma, injecta-se somente um espermatozóide, devidamente seleccionado, dentro do citoplasma de um óvulo da paciente ou de uma doadora. O resto do processo é similar ao da fecundação In vitro.

Está indicada

Quando o esperma é de muito má qualidade ou falhou a fecundação In vitro.

% de êxitos

A percentagem de êxitos é idêntica à da fecundação In vitro.

 

* As percentagens de êxito variam muito, dependendo do centro médico.

* Os preços correspondem a centros privados. O tratamento na saúde pública é gratuito, desde que tenha um sistema de saúde convencionado. Os valores aproximados para o Ciclo de Fecundação são de 590 contos e para o Ciclo de ICSI, 690 contos.

Direcções:

Particulares Sul:

Centro de Medicina da Reprodução do Instituto de Urologia Rua Tomás da Fonseca, Torres de Lisboa, Edifício F, 1600-209 Lisboa. Telefone: 21 721 34 82/ 21 721 34 00.

Clidingo Rua Luciano Cordeiro, 123 r/c D, 1050-139, Lisboa. Telefone: 21 352 42 47.

Clifer – Clínica de Infertilidade, Lda. Rua Padre Américo, 1 – C, 1600-548 Lisboa. Telefone: 21 716 58 27.

Estatais Sul:

Maternidade Dr. Alfredo da Costa Telefone: 21 318 40 00.

Hospital de Santa Maria Telefone: 21 797 51 71.

Particulares Norte:

Clínica Professor Alberto Barros Telefone: 22 550 80 95.

Estatais Norte:

Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia – R. Francisco Sá Carneiro, 4400 – V. N. de Gaia. Telefone: 22 377 81 00. l

Hospital Senhora de Oliveira - Guimarães – Creixomil – 4800 Guimarães. Telefone: 253 51 50 40.

Fonte: Revista bebé d’Hoje nº 49

A Infertilidade no século XXI

A infertilidade é, nos nossos dias, um problema que atinge mais de 18% dos casais com idades compreendidas entre os 20 e os 44 anos de idade e muitas são as causas que podem levar ao desespero estes casais que esperam ansiosamente um filho.

Felizmente, a verdadeira infertilidade, ou seja, a impossibilidade total de conceber um filho, atinge valores percentuais muito baixos.

Entre as causas mais frequentes da infertilidade verificamos que na grande maioria dos casais, a mulher tem hoje uma vida profissional activa e luta por um lugar de destaque na sociedade.

O seu casamento foi em geral cerca dos 25 anos de idade (após o curso) e nos primeiros anos, o casal dedicou-se a estabilizar a sua vida familiar e profissional.

A compra da casa, o mobiliário, a compra do primeiro automóvel e mais importante do que todo o resto - com um contrato a prazo, não se pode pensar em ter filhos…
Tudo isto, leva a que só mais tarde se pense no primeiro bebé.

O filho mais ansiado

Após três ou quatro anos de casamento, pensam os pais ser a altura ideal para conceber o seu tão ansiado bebé.

No entanto, começa a sua frustração, quando após cinco os seis meses de tentativas, a gravidez, tão desejada, não surge.

As probabilidades de uma gravidez, num casal fértil, são de 90% ao fim de um ano, se esse casal mantiver um relacionamento sexual activo periódico sem utilizar qualquer anticonceptivo.

Quando não acontece uma gravidez ao fim deste período, é possível pensar-se num qualquer problema de infertilidade e convém que consultem um especialista.

A visita ao ginecologista

Se o casal não frequentou, como deveria ter feito, a consulta de planeamento familiar, é nesta altura que o médico iniciará todo o processo.

A esta consulta deverão ir os dois e o clínico iniciará com a história clínica do casal (anomalias genéticas, doenças, tipo de vida, práticas sexuais, características do ciclo menstrual, características dos progenitores…).

Não deverá o casal esquecer-se de mencionar qualquer facto, mesmo que não pareça relevante, pois, ele poderá dar uma pista sobre as causas da possível infertilidade.

Além das provas habituais o clínico poderá requisitar de imediato:

* Análises sanguíneas - para traçar o perfil imunológico do casal.

* Um Espermograma - este estudo poderá evitar outras provas de maior dificuldade para a mulher, caso o problema esteja relacionado com os espermatozoides.
- Escassa quantidade
- Fraca mobilidade
- Fraca qualidade

Deverá ser efectuado após 38 horas de abstinência e poderá ser repetido, visto os valores poderem ser alterados em virtude de uma simples gripe.

O médico indicará também à mulher que faça um gráfico da sua temperatura basal durante alguns ciclos, a fim de avaliar a sua ovulação.

Após o resultado destes primeiros exames o ginecologista poderá mandar realizar um estudo Pós-coito. Este exame, realizado a partir de uma amostra de fluxo vaginal (após ter o casal mantido relações sexuais num dos dias férteis), serve para avaliar a compatibilidade entre o muco cervical, o sémen e a qualidade dos espermatozoides.

Também, para obter informações sobre a permeabilidade das trompas ou anomalias no útero, o clínico mandará realizar uma histerosalpingografia. E assim começa um longo percurso.

Com o passar do milénio… a esperança

Há cerca de 33 anos (25 de Julho 1978) nasceu Louise Brown, a primeira bebé-proveta. Leslie Brown, a mãe da bebé, que devido a um defeito nas trompas de Falópio, tentara desesperadamente ter filhos durante 9 anos, submeteu-se a uma técnica desenvolvida pelos médicos britânicos Patrick Steptoe e Robert Edwards, do Hospital de Oldham, no Reino Unido.

A técnica - fertilização in vitro - como foi baptizada na altura, consistiu em retirar os óvulos da mãe, colocá-los num tubo de ensaio e fazê-los fertilizar por contacto com o esperma do pai de Louise. Quando os óvulos começaram a dividir-se, dando origem a novas células, um desses óvulos foi implantado no útero de Leslie, onde se desenvolveu.

Louise, a primeira bebé-proveta do mundo, nasceu prematura com 2,600 quilos de peso, através de uma cesariana.

Hoje, muito longe vão esses tempos e muitos são os bebés que através das mais variadas técnicas, nascem em todo o mundo, através de reprodução medicamente assistida.

Muitos caminhos para vencer a infertilidade

Com a evolução da ciência, muito embora ainda haja um longo caminho a percorrer, são poucos os casais que se vêem privados do desejo e ambição de serem pais.

Alterações genéticas graves num casal ou a falta do útero, podem ser as poucas causas que impeçam essa ambição.

Entre as técnicas mais habituais podemos destacar:

- Tratamento Hormonal - Para o homem ou para a mulher, activa a produção e melhora a qualidade dos óvulos ou dos espermatozoides.
O seu êxito depende da técnica de reprodução assistida que se utilize a seguir (Inseminação intra-uterina ou FIV- Fecundação in vitro).

- Inseminação intra-uterina - é a técnica menos invasiva e é geralmente confundida com a Fecundação in vitro.

- Fecundação in vitro - recorre-se a esta técnica quando existe uma obstrução de trompas ou condutos, um problema ovárico ou ainda se o esperma é de baixa qualidade.

- Microcirurgia - uma intervenção que consiste em eliminar mediante um cateter a obstrução da trompa (na mulher) ou o conduto do sémen (no homem). Esta intervenção é realizada com anestesia geral.

- Injecção intracitoplasmática - é a técnica mais actual e utiliza-se quando o sémen não é rico em espermatozoides, ou ainda, quando estes são de baixa qualidade. É uma técnica muito semelhante à da Fecundação in vitro.

Enquanto que com a Fecundação in vitro, se juntam os óvulos aos espermatozoides numa proveta, com esta técnica, introduz-se directamente no interior do óvulo um só espermatozoide. Esta técnica é realizada com uma micro agulha e um microscópio de alta precisão.

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Com o passar do milénio a esperança é cada vez maior!

Infertilidade

Linha Verde: 800 200 191 Uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Medicina Reprodutiva (SPMR) que está preocupada com um problema que afecta milhares de pessoas.

Eis alguns dos Centros de Reprodução Medicamente Assistida que poderá contactar, caso esteja interessada numa consulta.

Onde pode dirigir-se:

Zona Norte
Hospital de Vila Nova de Gaia
Telef. 22 377 81 00
Hospital de Guimarães
Telef. 25 351 50 40

Fonte: Revista Mãe Ideal nº 1

Infertilidade masculina: nova técnica com resultados eficazes

Quarenta por centos dos casos de infertilidade devem-se a factores masculinos. Até há pouco tempo, não existia tratamento médico ou cirúrgico eficaz para este problema. O desenvolvimento da ICSI (injecção intracitoplásmica de espermatozóides) representa, no entanto, uma solução eficaz para a infertilidade masculina. A infertilidade atinge, nos países industrializados, cerca de 15 % dos casais. Em 40 % dos casos, esta situação deve-se a causas masculinas. No entanto, só recentemente a medicina da reprodução conseguiu encontrar uma resposta eficaz para o problema da infertilidade masculina.

"Temos prestado uma atenção especial às mulheres porque os problemas de infertilidade feminina são mais fáceis de tratar" explicou Pierre Boyer, chefe do laboratório de Medicina da Reprodução do Hospital St. Joseph.

De acordo com o investigador, as causas masculinas de infertilidade ganharam uma atenção especial desde que se começou a utilizar a ICSI (injecção intracitoplásmica de espermatozóides). Antes do aparecimento desta técnica, não existia tratamento médico ou cirúrgico eficaz para oferecer ao casal com problemas de infertilidade masculina.

"Hoje, olhamos para a infertilidade masculina com atenção redobrada porque podemos tratá-la com significativa eficácia" confirma Pierre Boyer, acrescentando que "a ICSI proporciona uma taxa de sucesso muito positiva, idêntica à FIV (fertilização in vitro) "tradicional".

A ICSI consiste na injecção de um único espermatozóide através de uma micropipeta no citoplasma do ovócito sob vigilância microscópica. Cerca de 48 horas depois do processo de microinjecção são transferidos para o útero dois a três embriões. Este método vem resolver grande parte da infertilidade masculina, cujos resultados eram até agora frustrantes quando comparados com os obtidos no tratamento da infertilidade feminina.

Alguns estudos internacionais sugerem que ao longo do tempo se tem verificado uma diminuição do número e qualidade de espematozóides (uma situação que pode dever-se a factores de toxicidade ambiental), contribuindo para o aumento dos casos de infertilidade masculina.

Graças aos progressos científicos, 60 % dos casais conseguem obter uma gravidez quando submetidos a tratamento adequado. A medicina da reprodução continua, no entanto, sem solução para o risco das gravidezes múltiplas. Evitar esta situação é, na opinião de Pierre Boyer, o desafio que se coloca aos especialistas na próxima década.

1 de Março de 2002

Infertilidade masculina: 40% dos casos devem-se a factores masculinos

Quarenta por cento dos casos de infertilidade devem-se a factores masculinos. Até há pouco tempo, não existia tratamento médico ou cirúrgico eficaz para este problema.

O desenvolvimento da ICSI (injecção intracitoplásmica de espermatozóides) representa, no entanto, uma solução eficaz para a infertilidade masculina.

Lisboa, 30 de Abril - A infertilidade atinge, nos países industrializados, cerca de 15 por cento dos casais. Em quarenta por cento dos casos, esta situação deve-se a causas masculinas. No entanto, só recentemente a medicina da reprodução conseguiu encontrar uma resposta eficaz para o problema da infertilidade masculina.

“Temos prestado uma atenção especial às mulheres porque os problemas de infertilidade feminina são mais fáceis de tratar”, explicou Pierre Boyer, chefe do laboratório de Medicina da Reprodução do Hospital St. Joseph.

De acordo com o investigador, as causas masculinas de infertilidade ganharam uma atenção especial desde que se começou a utilizar a ICSI (injecção intracitoplásmica de espermatozóides). Antes do aparecimento desta técnica, não existia tratamento médico ou cirúrgico eficaz para oferecer ao casal com problemas de infertilidade masculina.

“Hoje, olhamos para a infertilidade masculina com atenção redobrada porque podemos tratá-la com significativa eficácia”, confirma Pierre Boyer, acrescentando que “a ICSI proporciona uma taxa de sucesso muito positiva, idêntica à FIV (fertilização in vitro) “tradicional”.

A ICSI consiste na injecção de um único espermatozóide através de uma micropipeta no citoplasma do ovócito sob vigilância microscópica. Cerca de 48 horas depois do processo de microinjecção são transferidos para o útero dois a três embriões.

Este método vem resolver grande parte da infertilidade masculina, cujos resultados eram até agora frustrantes quando comparados com os obtidos no tratamento da infertilidade feminina.

Alguns estudos internacionais sugerem que ao longo do tempo se tem verificado uma diminuição do número e qualidade de espematozóides (uma situação que pode dever-se a factores de toxicidade ambiental), contribuindo para o aumento dos casos de infertilidade masculina.

Graças aos progressos científicos, sessenta por cento dos casais conseguem obter uma gravidez quando submetidos a tratamento adequado. A medicina da reprodução continua, no entanto, sem solução para o risco das gravidezes múltiplas. Evitar esta situação é, na opinião de Pierre Boyer, o desafio que se coloca aos especialistas na próxima década.

30 de Abril de 2002

Infertilidade: novo método encurta preparação para técnicas de reprodução

A infertilidade é um problema que afecta cerca de 15 por cento dos casais em Portugal. A apresentação recente de uma nova terapêutica, mais segura e mais prática, permite a esses casais um tratamento de curta duração e menos penoso fisica e psicologicamente.

Lisboa, 22 de Maio - A infertilidade é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como uma doença, pelo que recomenda aos países da Europa que estabeleçam medidas de combater e tratar esta doença. Em Portugal, cerca de 15 por cento dos casais enfrentam problemas de infertilidade. Segundo o Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, Prof.João Luís Silva Carvalho, “há uma forte tendência para que essa percentagem venha a aumentar”.

A doença implica a necessidade de recorrer a tratamentos de fertilidade, que embora “estando muito melhores continuamos mal”, disse o especialista, explicando que, “por um lado, as taxas de sucesso dos tratamentos ainda são baixas e, por outro, os tratamentos são penosos, stressantes e muito prolongados”.

Assim sendo, uma das principais evoluções será investir em torná-los mais fáceis, de curta duração, menos penosos e “se possível também mais baratos”. Sob estes pontos de vista, o novo método - FSH recombinante – cuja nova apresentação terapêutica foi apresentada recentemente, é um avanço significativo.

O fármaco está disponível no mercado desde 1996, com indicação para a infertilidade feminina, mas está agora indicada para ambos os sexos, numa nova apresentação (caneta), mais segura (agulha de menor calibre e menor volume de injecção) e mais prática (flexibilidade de doses que se adapta a cada caso).

“Esta nova terapêutica,que alia a FSH recombinante com um antagonista da GnRH, permite a redução do tempo de tratamento que era de três semanas para dez dias, diminuindo a agressão e a ansiedade do casal”, comentou Silva Carvalho.

Segundo o especialista, uma das principais causas da infertilidade é a vida que as mulheres adoptaram na sociedade moderna. “Atrasar a concepção do primeiro filho para idades mais tardias não é uma boa escolha, uma vez que os óvulos já não têm a mesma qualidade que têm aos 20 ou 30 anos. Portanto, engravidar aos 37/ 38 torna-se muito mais difícil”, explica.

“Dados relativos a 1992/93 indicam que cerca de meio milhão de indivíduos sofriam de infertilidade e, a partir daí, surgiram 10 mil novos casos por ano”, refere João Luís Silva Carvalho. “É preciso alertar as entidades oficiais e da saúde para a necessidade de a reconhecer como doença e de a combater”.

A infertilidade provoca uma situação de inferioridade no casal e há a noção errada de que alguém tem que ser culpado. João Luís Silva Carvalho diz que “a infertilidade é uma doença do casal e, por isso, a culpa é conjugal, contudo esse é um dos principais motivos que leva o casal a atrasar a procura de um especialista”.

“Não há culpa, há factores múltiplos que causam a infertilidade”, alerta o especialista. Os factores masculinos são hoje tão prevalentes quanto os femininos. “Podemos dizer que em 1/3 dos casos o factor é feminino, em 1/3 é masculino e em 1/3 é dos dois”.

Lisboa, 22 de Maio de 2003

Mega estudo confirma segurança da única técnica eficaz para tratar infertilidade masculina

Um em cada seis casais é confrontado com problemas de infertilidade em determinado momento da vida. Quarenta por cento destes casos devem-se a causas masculinas, que encontram na ICSI (injecção intracitoplasmática de espermatozóides) a única técnica eficaz para tratar este tipo de infertilidade.
Um estudo realizado por especialistas da Free University de Bruxelas vem agora confirmar a segurança da ICSI, revelando que a sua utilização não comporta riscos acrescidos de malformações congénitas.

Um dos maiores estudos sobre reprodução medicamente assistida revela que as crianças concebidas através da única técnica eficaz para a infertilidade masculina - ICSI (injecção intracitoplasmática de espermatozóides) - não têm risco acrescido de malformações congénitas nem apresentam um desenvolvimento mental inferior às restantes crianças.

O estudo, elaborado por especialistas em Medicina da Reprodução da Free University de Bruxelas, avaliou os dados recolhidos nos primeiros nove anos de utilização da ICSI e nos 17 anos de prática de fertilização in vitro (FIV) e revelou que as crianças nascidas com a ajuda de qualquer um dos métodos apresentam um desenvolvimento mental idêntico à população geral.

Quinze por cento de todos os casais são confrontados com problemas de infertilidade, que em cerca de 40 por cento dos casos se devem a causas masculinas. A injecção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) é, actualmente, a única técnica eficaz para tratar a infertilidade masculina.

A ICSI consiste na injecção de um único espermatozóide através de uma micropipeta no citoplasma do ovócito sob vigilância microscópica. Cerca de 48 horas depois do processo de microinjecção são transferidos para o útero dois a três embriões.

Este método vem resolver a maior parte dos casos de infertilidade masculina, cujos resultados eram até agora frustrantes quando comparados com os obtidos no tratamento da infertilidade feminina. Cerca de 70 por cento dos ovócitos submetidos a esta técnica fertilizam, evoluíndo para embriões de boa qualidade e apresentando índices de gravidez idênticos à FIV tradicional.

Aplicada desde 1992, a ICSI veio levantar uma série de questões que punham em causa a segurança da sua utilização. Isto porque, segundo alguns especialistas, as barreiras naturais da fertilização são ultrapassadas e o esperma não é escolhido por selecção natural mas pelo embriologista, podendo existir problemas a nível genético .

Este estudo, que desde 1992 já envolveu perto de 3000 crianças, vem então demonstrar que o recurso à ICSI não comporta riscos acrescidos de malformações congénitas nem atrasos no desenvolvimento mental comparativamente à população em geral.

Infertilidade

As alterações dos padrões demográficos ocorridas nos últimos 50 anos nos países desenvolvidos colocam os problemas da baixa de natalidade e da renovação de gerações como das questões mais sensíveis das sociedades contemporâneas, antevendo-se-lhes significativas repercussões para os próximos decénios.

De um grande número de nascimentos e elevada taxa de mortalidade infantil, característicos do princípio do século, transitou-se para uma estrutura familiar mais pequena, mas também com mais saúde e melhores condições socioeconómicas.

No entanto, a transição não se fez sem custos e, na Europa, o número de «crianças por mulher» é insuficiente para assegurar, a curto prazo, a substituição das gerações. Em Portugal, o crescimento natural é mínimo, com uma taxa de crescimento efectivo muito baixa.

Não cabe, aqui, analisar os fenómenos políticos, económicos e sociais que provavelmente constituem a principal causa da baixa de natalidade. Nem sequer o importante papel desempenhado pela enorme divulgação e utilização de meios anticonceptivos simples e de grande eficácia.

Mas vem a propósito salientar o contributo de numerosos casos de infertilidade, de que se verifica uma progressão crescente e que a coloca como um dos mais importantes problemas de saúde das sociedades modernas.

Nos nossos dias, a infertilidade é não só um problema que perturba gravemente o bem-estar individual e familiar e a inserção social dos casais, devendo ser incluída nos actuais conceitos de doença, como também importante aspecto de saúde pública.

Por esse motivo, a Organização Mundial de Saúde, através do seu Regional Office for Europe, recomenda aos diferentes países que determinem a prevalência da infertilidade nas suas populações e estabeleçam as respectivas causas. Insiste que sejam avaliadas as capacidades de resposta médica e social face aos casais inférteis existentes.

A incidência da infertilidade é extremamente difícil ou mesmo impossível de estabelecer, quer pelas diferentes definições utilizadas, quer pelas grandes variações regionais e pelas distintas metodologias de avaliação. No entanto, pode observar-se em diversos estudos: em Inglaterra, uma prevalência de 17%, na Escócia 14% e em França 14,1%.

Nos EUA, alguns referem 8,5%, o que significa 4,9 milhões de mulheres, e outros uma prevalência de um em cada seis casais (16,6%), com o aparecimento de 500.000 novos casos por ano; em 1987 avaliavam-se entre 50 a 80 milhões o número de indivíduos (10 a 20% do total de casais) com queixas nesta área e estimava-se o aparecimento de cerca de 2.000.000 de novos casos de infertilidade conjugal por ano.

Em Portugal, calcula-se que cerca de 500.000 indivíduos em idade de procriação sofram de infertilidade e que 10.000 novos casais por ano tenham problemas de reprodução.

De facto, o número de problemas relacionados com a esfera da fecundidade encontra-se em ascensão. Sendo, pois, uma situação frequente, em que para qualquer grupo etário se verifica um aumento progressivo de prevalência, e numa época em que a Medicina adquiriu vertentes comunitárias e sociais de relevo, as alterações da fecundidade assumem cunho de grande importância.

Os estudos organizados e dirigidos pela Organização Mundial de Saúde mostram que na infertilidade existe um contributo feminino em pelo menos 52% dos casos. Um contributo masculino ocorre numa percentagem ligeiramente inferior. Mas em cerca de 1/3 das situações os motivos para ocorrência da doença situam-se em ambos os membros do casal.

Sem dúvida que de responsabilidade partilhada é o adiar da primeira concepção para idades tardias da vida reprodutora da mulher. Nos nossos dias, a tendência geral caracteriza-se pelo protelar da primeira gravidez, por razões várias, designadamente de natureza socioeconómica e profissional, seguindo-se uma exigência de concretização imediata de fecundidade.

Mas, para além de o processo de reprodução humana ser de baixa rendibilidade e requerer tempo para se realizar, a análise de diversos registos mostra que a proporção de casais presumivelmente férteis que não conseguem gravidez aumenta progressivamente com a idade feminina.

A magnitude do problema é tal que alguns pensam que o importante aumento do número de casais inférteis não é devido à crescente incidência de causas e riscos, mas apenas a uma progressiva tendência de adiamento da primeira gravidez para a 4.ª década da vida, ou seja, para idades em que é mais provável a ocorrência de infertilidade.

De facto, verifica-se uma indiscutível diminuição da fecundidade da mulher a partir dos 30 anos, com um declínio que se acentua marcadamente a partir dos 35, atingindo-se níveis mínimos aos 45 anos de idade.

Independentemente de o desenvolvimento científico e tecnológico ter colocado ao nosso alcance novos medicamentos e técnicas que nos permitem solucionar a esmagadora maioria das situações de infertilidade conjugal, a mensagem que gostaríamos de deixar, neste Dia da Mulher, é que, por vezes, conceder prioridade cronológica a aspectos de satisfação económica e profissional pode comprometer o que para muitas mulheres é o seu principal desígnio de realização pessoal e familiar.

Prof. Doutor João Luís Silva Carvalho
Professor da Faculdade de Medicina do Porto.
Secretário-Geral da Sociedade Portuguesa de Ginecologia

Artigo publicado no Jornal da Mulher em comemoração do Dia internacional da Mulher - 8/3/2003

 

Infertilidade atinge 10 a 15 por cento dos casais portugueses

Existem várias formas de tratar a infertilidade, um problema que atinge cerca de 10 a 15% dos casais portugueses.

No entanto, qualquer que seja o tratamento só deve ser posto em prática depois de um exaustivo estudo do casal e das suas condições médicas. Desta forma, são evitadas gravidezes múltiplas cujo impacto, social e económico, é muito negativo.

Lisboa, 14 de Abril - A infertilidade é um problema que atinge cerca de 10 a 15% dos casais portugueses, sendo por isso cada vez mais procuradas as consultas de infertilidade e, por consequência, os tratamentos de fertilização. “Verifica-se que, actualmente, por questões sociais e profissionais os casais procuram ter filhos cada vez mais tarde”, comentou Isabel Reis, ginecologista, responsável pelo serviço de medicina reprodutiva do Hospital da Senhora de Oliveira, em Guimarães, durante o Simpósio sobre Gravidez Múltipla.

Os factores que explicam a incidência da infertilidade têm, na opinião de Isabel Reis, que ver com “o facto de as mulheres com mais de 30/35 anos já terem mais dificuldade em engravidar, sendo por isso aconselhável que a gravidez aconteça mais cedo. Por outro lado, existe uma maior incidência de doenças sexualmente transmissíveis, desenvolvendo outro tipo de problemas que vão dificultar a gravidez. Por fim, a questão masculina tem um enorme peso, havendo uma interferência de cerca de 50 por cento do factor masculino”.

Existem várias formas de tratar a infertilidade, no entanto “qualquer que seja o tratamento só deve ser feito depois de um completo estudo do casal, para averiguar a causa (alterações das trompas, endometriose, alterações hormonais, factores masculinos, etc)”. Só depois se recorre às técnicas de reprodução medicamente assistidas.

Estas técnicas são as mais utilizadas em Portugal, no entanto, conforme explica Isabel Reis, “tem de haver muita ponderação ao tratar este assunto porque qualquer tratamento para a infertilidade tem riscos acrescidos de gravidez múltipla e o casal tem de saber disso”. E acrescenta: “cada vez mais tentamos fazer o controlo das induções da ovulação, quer por meios analíticos, quer ecográficos, porque é preciso ter muito cuidado ao administrar a dose e a medicação de modo a ter a situação o mais controlada possível”.

Actualmente há tendência para que sejam transferidos cada vez menos embriões, seja nas técnicas de fertilização in vitro, ou de microinjecção. “Com a melhoria das culturas onde se encontram os embriões e do estudo exaustivo da situação do casal, apenas um ou dois embriões são transferidos. Transferir um embrião pode ser a solução para não arriscarmos uma gravidez múltipla”, explica a especialista.

Segundo os especialistas, a tendência é para haver tratamentos cada vez mais curtos, mais acessíveis, mais práticos de serem efectuados, que interfiram menos na vida do casal e com melhores resultados. As pesquisas sugerem que o implante de um só embrião pode ajudar a reduzir a elevada taxa de gravidezes múltiplas associadas às tecnologias de reprodução assistida.

“Temos que pensar e ponderar muito bem os custos e os benefícios dos tratamentos que resultam em gravidezes múltiplas”, argumenta a especialista.

Lisboa, 14 de Abril de 2003
Conheça o Centro de Medicina Reprodutiva de Lisboa

Lisboa conta agora com um novo centro de medicina de reprodução, a funcionar no Instituto de Urologia, que pretende dar uma resposta, embora a um custo elevado, aos casais que querem mas não conseguem ter filhos.

Sob a direcção da doutora Madalena Barata, este novo centro possui técnicas como a inseminação in vitro e a microinjecção intracitoplástica. Esta unidade terá ainda ao dispor dos casais estéreis e com problemas de infertilidade a congelação do esperma e de embriões, no entanto só em casos clínicos.

O centro situa-se no Instituto de Urologia facto que, segundo Madalena Barata, representa uma mais valia em relação às unidades particulares já existentes: "como está inserido num ambiente hospitalar permite que o doente seja acompanhado em todas as etapas desde o momento em que fez o diagnóstico de infertilidade", explicou.

A ideia da criação de um centro para procriação medicamente assistida surgiu a partir das consultas de Andrologia e Urologia, que são feitas já há algum tempo naquele instituto.

Desenvolvimento e modernização

Com um ambiente agradável e confortável (as paredes são pintadas com cores suaves), e uma tecnologia altamente avançada, esta nova unidade tem como objectivo a modernização e o incentivo do desenvolvimento da medicina reprodutiva no nosso país.

Conta com uma sala de espera; um departamento onde é feito o diagnóstico inicial (através do ecógrafo é feita a monitorização da ovulação); um espaço para a desinfecção cirúrgica antes de entrar na sala de transferência de embriões que, por sua vez, comunica com o laboratório central. Este laboratório dispõe de uma área de trabalho central e lateral.

Além das técnicas anteriormente referidas um dos projectos é fazer com que seja possível a biópsia testicular. Finalmente, na sala de crio, são congelados os embriões e as amostras de esperma e tecido testicular.

Segundo Madalena Barata "os principais factores de infertilidade prendem-se com a ovulação e com alterações anatómicas da cavidade peritoneal." "A doença inflamatória pélvica e a endometriose também levam a aderências e à obstrução tubária", explicou.

Custos e filas de espera

Relativamente aos custos, estes serão elevados, principalmente porque, como referiu a directora, "a esterilidade não é uma doença e, por isso, os seguros de vida não os contemplam".

A boa notícia é a ausência das longas e morosas listas de espera (tal como não existem nos outros centros particulares), o que não acontece nos hospitais públicos onde os pacientes chegam a esperar três anos para a aplicação das técnicas de procriação medicamente assistida, como é o caso do Hospital de Santa Maria ou Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.
Nestes locais as filas de espera são intermináveis e conseguir não tanto uma consulta mas sim aceder às técnicas de procriação medicamente assistida, torna-se complicado. O resultado são casais que demoram anos a andar de um lado para o outro juntando-se o mal-estar e o stress que geram os testes a que são submetidos, além do sentimento de frustração cada vez que um tratamento fracassa.

O segredo é nunca desistir, se bem que para isso seja preciso ter dinheiro. Para fazer uma ideia, cada ciclo de fecundação in vitro ronda os 550 contos, um ciclo de inseminação artificial 75 mil escudos e uma microinjecção 750 mil escudos, por exemplo.

Fonte: revista "Bebé d’Hoje"

Estudo sobre fertilidade revela: mulheres conhecem mal o ciclo reprodutivo

Um estudo sobre fertilidade revela que a maioria das mulheres está mal informada acerca do seu ciclo reprodutivo e muitas subestimam o risco de infertilidade, acreditando que apenas uma em cada 50 mulheres sofre deste problema, quando na realidade esse risco é de uma em cada dez.

Perante estes resultados “chocantes”, a Associação Americana de Infertilidade decidiu promover uma vasta campanha de informação.

Lisboa, 7 de Novembro - A maioria das mulheres está pouco informada acerca do seu ciclo reproductivo e muitas têm conceitos errados sobre o que pode afectar ou preservar a fertilidade, revela um estudo levado a cabo pela Associação Americana de Infertilidade (AAI). Segundo este estudo, apenas uma em 12 382 mulheres conseguiu responder correctamente a questões relacionadas com o ciclo reproductivo.

“É chocante que apenas uma em mais de 12 mil mulheres tenha conseguido responder de forma correcta a questões que dizem respeito ao seu corpo”, afirma Pamela Madsen, directora executiva da AAI, defendendo que “estes resultados demonstram claramente que existe uma séria lacuna na informação sobre fertilidade”.

De acordo com os investigadores, cerca de 60 por cento das questões levantadas neste estudo foram respondidas de forma incorrecta.

Oitenta e oito por cento das mulheres sobrevaloriza em cinco a dez anos a idade a partir da qual a fertilidade começa a decrescer e 28 por cento subestima o risco de infertilidade, acreditando que apenas uma em cada 50 mulheres sofre deste problema, quando na realidade esse risco é de uma em cada dez mulheres.

Por outro lado, a maioria das inquiridas revelou um conhecimento razoável acerca da prevenção da gravidez, embora não tenha noção de que alguns métodos podem comprometer a fertilidade enquanto outros preservam-na.

“Em geral, os médicos não falam sobre as formas de preservar a fertilidade”, defende Richard Scott, especialista em medicina de reprodução e co-autor do estudo, sublinhando que “ter uma história clínica normal não significa que não existam problemas de infertilidade”.

Perante estes resultados, a AAI decidiu lançar uma campanha educativa com o objectivo de melhor informar o público acerca destas questões. “As mulheres têm que estar melhor informadas de modo a que possam tomar decisões mais conscientes acerca de constituir família”, justifica Pamela Madsen.



07 de Novembro de 2001

Faltam médicos

A Ginecologia, que vem do grego e quer dizer «Ciência da Mulher», tem um alcance muito mais lato, pois estuda e abrange muito mais do que a biologia e a fisiopatologia do aparelho genital feminino. Engloba aspectos fisiológicos e todas as alterações que advêm do ritmo alucinante da vida moderna.

Por outro lado, a Obstetrícia, que tem a sua origem no latim e traduz a «arte de fazer partos», tem também hoje um sentido muito mais lato, pois engloba toda a patologia que pode acompanhar a gravidez e a sua evolução até à assistência ao parto, com a probabilidade de previsão dos acontecimentos. O diagnóstico pré-natal e a avaliação genética permitem-nos estudar de igual modo um campo imenso de uma Obstetrícia muito mais aliciante.

«Parece assim evidente que o que chamamos Obstetrícia é só uma parte da Ginecologia e ambas abrangem hoje a fisiologia reprodutiva feminina, a patologia de todo o aparelho genital feminino e os fenómenos da sexualidade, o estudo de complexos mecanismos endócrinos e de outro tipo», afirma a Dr.ª Maria Teresa Osório, directora do Serviço de Ginecologia do Instituto Português de Oncologia do Porto. Segundo aquela ginecologista, actual presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), esta especialidade «mudou consideravelmente nas últimas décadas».

E justifica:«Tornou-se muito mais aliciante, abarca cada vez mais campos. Saída da Cirurgia, adquiriu um contexto anatomopatológico, fisiopatológico, endócrino, extraordinariamente importante e enriquecido com as actuais aquisições na área da Imunologia, da Genética, da Biologia Molecular, da Medicina Psicossomática e nas novas tecnologias de diagnóstico e tratamento, desde a Ultra-sonografia à Endoscopia.» «A Ginecologia é, afinal, como todas as Ciências Médicas, uma disciplina em evolução. E esta evolução é tão rápida que necessita uma actualização constante, o que constitui uma das principais preocupações da Sociedade Portuguesa de Ginecologia», diz Maria Teresa Osório. A formação do ginecologista e obstetra modernos faz-se em três grandes áreas: Materno-Fetal, Medicina da Reprodução e Ginecologia Oncológica. É exactamente nestas duas últimas áreas que a SPG se tem empenhado. «Muito há ainda a fazer em termos de política de saúde e de assistência à mulher, tanto a nível de cuidados primários de saúde, como nos hospitais distritais e centrais. O levantamento das carências hospitalares e a sensibilização constante da classe médica e do poder político são atitudes de primeira linha que as sociedades científicas têm que assumir», refere a nossa interlocutora.

Apesar da incidência de mortalidade elevada ainda não tem um Programa Nacional de Rastreio do Cancro da Mama e do Colo do Útero. Na Zona Centro existe uma cobertura completa de todas as freguesias do distrito de Coimbra em relação ao cancro da mama. Relativamente ao rastreio do cancro do colo do útero, algo se tem progredido, mas não com o êxito do rastreio do cancro da mama. «Não temos um rastreio global de base populacional. Existem no Norte e Sul alguns rastreios isolados, alguns de base hospitalar. Muito há a fazer neste campo, com uma sensibilização constante do poder político», sublinha a presidente da SPG.

Maria Teresa Osório cita o exemplo do colo do útero, que tem a sua maior incidência a nível das populações de mais baixo nível socioeconómico, que vivem em promiscuidade, com início de actividade sexual em idades muito jovens e com parceiros também promíscuos. São exactamente estas populações que, por dificuldades económicas e sobrecarga familiar, não têm acesso aos cuidados primários de saúde. O cancro do colo do útero é a neoplasia genital feminina que tem maior incidência entre nós (19/100.000 mulheres).

«O que nos impressiona é que esta neoplasia, que antigamente tinha o seu pico de incidência pelos 55/60 anos, hoje afecta a mulher em idades cada vez mais jovens e com formas extraordinariamente agressivas», frisa, acrescentando: «Atribuímos este facto à liberalização de costumes, à alta prevalência das doenças de transmissão sexual e à persistência das lesões virusais e muitas vezes à falta de informação das nossas jovens.» O cancro da mama é, porém, a neoplasia de maior incidência feminina em todos os distritos de Portugal, menos no de Viana do Castelo, onde o cancro mais frequente na mulher é o do estômago. O que leva os médicos a abordar com mais premência este e outros aspectos de Ginecologia, é porque Maria Teresa Osório defende ser «necessário ampliar os quadros hospitalares, permitindo aos médicos exercer, para além da sua função assistencial, a de ensino e de investigação».

Deste modo, permitir-se-ia aos médicos «preparar grandes acções de profilaxia e prevenção, ensinando as populações a cuidar da sua saúde, incutindo-lhes regras de higiene, regras alimentares, alertando-as para os malefícios do álcool, do tabaco, do uso e abuso dos antidepressivos, incutindo-lhes regras de vida».atender todos estes campos, na área da Ginecologia e Obstetrícia, como em tantos outros, «é urgente reformular os quadros hospitalares, apetrechar tecnicamente os serviços, dar boas condições de trabalho e pagar melhor aos médicos, tornando a sua actuação mais aliciante». Ou seja, o descongestionamento dos serviços hospitalares verificar-se-ia «se nos centros de saúde existissem consultas de especialidade, nomeadamente de Ginecologia, local onde exactamente se faria a educação das populações, e uma Ginecologia profiláctica».

A responsabilidade editorial e científica desta informação é da JAS Farma, Comunicação.

 

 




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