A aplicação de testes genéticos a familiares de
doentes com cancro de origem hereditária podem ajudar a controlar o eventual
aparecimento da doença. Esta é uma das conclusões do trabalho de Glória
Isidro, do Instituto Nacional Ricardo Jorge, a ser apresentado hoje nas
Jornadas Portuguesas de Genética, em Oeiras.
O estudo, iniciado em 1997, passou por um
rastreio aos doentes a quem foi diagnosticado cancro cólon-rectal
familiar. Uma vez identificada a mutação genética responsável por cada tipo
de cancro, os investigadores submeteram os familiares destes doentes a um
teste genético, por forma a saber se também eram
portadores dessa alteração do DNA. Dos indivíduos inicialmente estudados, 82
eram portadores e 145 não.
De acordo com Glória Isidro, ao identificar uma
predisposição genética em certos familiares, o teste vem mostrar aos médicos
a necessidade de manter «uma vigilância clínica apertada», para impedir que a
pessoa venha a contrair a doença no futuro.
Mas a vantagem deste teste genético dirige-se
também à parte da população que revelou não ser portadora da mutação. «Com
esta medida, pouparam-se 145 cólonescopias»,
explicou a bióloga ao DN, lembrando que, sem o teste genético, o procedimento
normal implica uma série constante de exames clínicos aos familiares,
independentemente de se saber se têm predisposição genética para contrair a
doença.
As implicações éticas deste tipo de testes, por
se fazerem a doentes pré-sintomáticos, foram tidas
em conta pela equipa do INSA. «As pessoas deram o seu consentimento
informado, através de uma consulta de aconselhamento genético», garantiu a
investigadora, para quem os testes não devem ser obrigatórios, mas antes
partir de «uma escolha individual».